terça-feira, 20 de outubro de 2009

PRESSUPOSTOS


Vivemos num mundo de explicações. Por mais sejamos claros, sempre haverá uma situação em que precisaremos dizer o que "estamos querendo dizer" com o que dissemos. Complicou, não? É simples de entender, até porque eu tenho certeza que qualquer pessoa, que já possa ser chamado de algo mais que um "pingo-de-gente", já passou por isso. Falamos algo, achamos que foi verdadeiro e alguém nos pergunta: "o que você quis dizer com isso?". Eu não quis dizer, eu disse! Mas parece que não foi suficiente...

Claro que sabemos haver ruídos na comunicação de vez em quando [estou sendo otimista com o "de vez em quando] e que por isso o emissor de uma mensagem e o receptor dela nem sempre se entendam. Há diferencial de cultura, língua, conhecimento, entonação e outras coisas mais. Porém há uma outra coisa que eu creio atrapalhar e MUITO sermos entendidos e compreendermos o outro: o pressuposto. O que seria isso?

É assim: alguém me diz algo, eu ouço, mas atribuo ao que ele me disse uma intenção por detrás. Ao final de tudo, atrelo um valor determinante à pseudo-intenção que o outro possuía. Acontece isso frequentemente num diálogo [se assim se pode chamar] em que alguém diz: "eu já sei o que você vai me dizer". Quantas vezes ouvimos ou dissemos isso??? Já temos uma suposição pronta sobre o discurso do outro. Não o ouvimos de verdade, ouvimos somente nossa pretensa voz interior dizendo: "eu já sei o que ele vai me dizer".

Isso acontece em parte por uma eterna preguiça de gastarmos tempo e preocupação em conhecer as pessoas. Talvez por pura incapacidade humana mesmo [de ser imperfeito e não conhecer profundamente um punhado de coisas e pessoas], nós traçamos perfis prévios - construídos por repetição e comprovação - e tentamos encaixar os outros dentro deles. Se alguém diz algo ou se comporta de determinada maneira, então colocamos ele na prateleira de tal tipo de gente. Seria até prático se não tivesse grande possibilidade de erro. Mas... não é o que fazemos? Enquadramos, prejulgamos, entitulamos e nos recusamos a dar uma nova chance, nova leitura, segundas e terceiras impressões, pois a primeira impressão é o que fica.

Então, aquela pessoa disse alguma coisa, mas a leitura prévia que eu fiz dela me diz que, na verdade, ela quis dizer algo bem diferente. Não é o que ela disse, mas "o que eu acho que ela quis dizer" que vai me fazer ficar seguro. Ops! Falei algo novo: segurança. Fazemos estas coisas todas, tomamos todas estas medidas para nos mantermos seguros, para não sermos enganados. E no final nos enganamos. Criamos medidas que nos enganarão a respeito do outro e é melhor eu me enganar do que permitir que outra pessoa me engane, não é? Trocamos seis por meia dúzia.

Aconteceu comigo num dia destes, alguém me apresentou uma tarefa que eu tinha que fazer. Ela achava que eu estava à frente de um trabalho e por possuir supostamente tal "cargo" oficialmente, precisaria desempenhar algumas tarefas. Acontece que eu estava de fato à frente de tal trabalho, mas não oficialmente. O meu nome, por regra, não deveria estar como comandante de nada, mesmo que eu de fato esteja comandando algo. Daí eu disse que aceitava fazer a tal tarefa, mas expliquei de antemão que oficialmente era outra pessoa quem deveria ter seu nome descrito ali. Mas antes que eu terminasse de explicar, ouvi uma enxurrada de frases que continham justificativas para alguém que estivesse se escusando de trabalhar - no caso, eu -; desisti de ser entendida e aceitei o trabalho. Eu sabia que se fosse explicar mais, aumentaria as chances dela não só achar que eu não queria assumir tal responsabilidade, mas ter CERTEZA de que eu não queria. Mesmo que eu quisesse. Que complicação, não? Tão complicada quanto este período que acabei de redigir! E vejam só a quantidade de palavras, conjunções explicativas e outros conectivos que precisei usar para deixar, com o máximo de clareza, a minha mensagem. Isso porque eu pressupus que alguns de vocês não iriam entender se eu explicasse superficialmente o que eu quero, de fato, dizer. Uffff...

Duvidar de todos até que eles nos provem o contrário não é uma medida de segurança, mas uma forma segura de não conhecer ninguém, de não estabelecer vínculos verdadeiros, de não aprender mais sobre si e sobre o outro. Com nossa mania de segurança, de impedimento de sofrimento, usamos nossos pressupostos e até ferimos o outro com o que achamos que ele verdadeiramente é. Por detrás da acusação implícita de que o outro mente quando expressa algo e sente outra coisa, está um ser que faz exatamente isso; esse comportamento evidencia que nós estamos escondidos também sob a couraça do fingir que se está entendendo. E alguém precisa tomar o passo em direção à clareza, então que sejamos nós a apertar os laços com a autenticidade. Dizer sim quando se quer dizer sim e o mesmo no caso do "não". Sermos fiéis a nós mesmos para que sejamos leais com o outro. E mesmo que alguém suponha que não fomos sinceros, sem mais explicações podemos nos contentar com a consciência tranquila de que dissemos somente a verdade sem a pretensão de que seremos sempre compreendidos.

domingo, 11 de outubro de 2009

CUSTO DA FELICIDADE


Desistir? Jamais!

Não devemos desistir nunca de sermos felizes. Isso é uma frase bem típica de orkut, né? Eu concordo com ela , entretanto, sempre que a vejo, pergunto-me o que quis dizer o interlocutor desta mensagem. Porque querer felicidade é muito lícito, não? A que custo?

Quando dizemos que vamos ser felizes, custe o que custar, significa que passaremos por cima de qualquer coisa para conseguir esta bendita felicidade. Aí é que mora o perigo, pois real felicidade conquistamos somente sem prejuízo de qualquer pessoa. Se o que vamos passar por cima é algo que diz respeito ao direito de outrem, então jamais seremos felizes.

É simples, a condição sine qua non para estarmos efetivamente ligados à felicidade é não ferirmos, nem adentrarmos desrespeitosamente no "terreno" de ninguém. O grande problema é acharmos que o outro está nos impedindo de sermos felizes, porque aí estaremos interpretando a felicidade como uma disputa a ser vencida: "o outro possui algo e este algo é o que me faria feliz , então eu vou lá pegar, mas antes disso eu atrolepo este outro". Ou então: "alguém possui a chave de minha felicidade, vou grudar neste alguém e assim serei feliz". Nem uma coisa, nem outra; ninguém efetivamente nos impede a felicidade, tampouco no-la dá.

Precisamos, custe o que custar - para nós - passar por cima do que nos prende à condição de infelicidade. Isso sim! O que seria então? Se fizermos uma revista, perceberemos algumas atitudes que nos mantém num sofrido estado de infelicidade oscilante. Resumindo todas elas, geralmente, colocamos motivos para sermos felizes fora e muito longe de nós. O outro, por mais amado seja, está sempre muito livre para ir embora; as coisas, por mais cuidadas sejam, estão sujeitas ao desgaste tão bem conduzido pelo mestre Tempo; a idade, por mais queira a Ciência disfarçar-lhe as marcas, uma hora se impõe; vão-se os anéis e uma hora os dedos também! O que fica? Infelizmente esta questão acorrerá à maioria de nós num momento em que muita coisa não pode mais ser feita: num leito de morte. "Devia ter amado mais, ter errado mais", "devia ter aceitado a vida como ela é", acho que estas frases da música "Epitáfio" respondem parte da nossa questão - o que fica? repito. Fica o amor que se deu, a lição dos erros que cometeu, o risco que correu porque soube caminhar, fica a "re-signação"*, um ser humano cheio de aprendizado...

O que precisamos para sermos felizes está inapelavelmente em nós! Então não devemos desistir jamais, não devemos desistir de nos tornarmos vitoriosos e a vitória que logramos é sobre nós mesmos. Não há inimigos externos, sem que haja anteriormente o inimigo interno; a fuga, a culpa, o medo, a revolta onde moram? No outro? Também, mas cada um com a sua e tão somente a sua e esta atraindo ou repelindo condições que nos rodeiam.

É preciso descobrir onde está o tesouro que as traças não roem e os ladrões não levam, depois precisamos investir pesadamente neste tesouro e nele depositarmos o nosso coração. Enquanto nos predermos em fatores impermanentes a nossa felicidade estará sempre num horizonte fugidio e escorregadio; o que permanece é que é ouro!

*re-signação: no meu conceito é dar um novo significado a um determinado acontecimento. É descobrir o 'para quê' de determinada circuntância. Efetivamente o passado não pode ser mudado, porém algumas lições podem ser tiradas de erros ou outras coisas desagradáveis. Resignação não seria, para mim, uma aceitação cega daquilo que nos magoou, mas uma aceitação reformulada, um reequilíbrio entre a demanda, a oferta e o produto destas duas variáveis.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

MULHER NEGRA

Helena, queria te ver assim!


Desfila deslumbrante seu andar de modelo a atriz Thaís Araújo, na pele da mais nova Helena de Manoel Carlos. Uma belíssima mulher, forte, decidida, trabalhadora, batalhadora, realista e real [???]. É a primeira negra a viver uma das "Helenas". Não sei se ela estará bem encarnada neste papel, uma vez que, a novela só tem mostrado, até agora, ela gastando o bico com José Mayer numa lua-de-mel "parisdisíaca". Confesso que ao ouvir a música internacional escolhida para o casal, e sabendo que lá vem cena de beijo, beijo e beijo, eu levanto e espero voltar a novela ao normal. Acredito eu que estou mais ansiosa pra esta viagem acabar que a mãe de Helena! Não aguento mais ver as declarações de "Marcuxs" [no sotaque carioca de Thaís] regadas a litros de champagne [que é no mínimo sem álcool porque eles beberam duas garrafas noutro dia e continuam falando com a língua normal, sem pesar 5 quilos nem nada; se fosse eu já estava em coma! mas voltemos...]; não aguento mais ela com ar de que se deitou com a metade do Rio de Janeiro e acordou com a outra metade e dizendo que só teve dois homens na vida. Não falo isso por ela ser modelo, mas pelos comentários e a cara da personagem contando em dois dedinhos - e em plena lua-de-mel - os homens que já... bem... vocês já sabem.

Não fosse estes fatos irreais desta mais nova Helena, eu até estaria bem feliz em ver Thaís vivendo esta personagem "leblonosa" de Manoel Carlos, afinal de contas a Globo resume Brasil em Rio de Janeiro e parece que só lá tem praia, cultura e mulher bonita. Até aceito que o garanhão que fica sempre com a Helena oscile entre José Mayer e Tonny Ramos, porque um tem cara de cavalo reprodutor e o outro tem pêlos o bastante para dizer ao que veio. O que me deixa perplexa é que o autor não lembrou de fazer desta Helena o mesmo que fez com as outras: torná-la real. E justo a negra tinha que ser modelo! Ora... preferiria que ela fosse a que frequentava as livrarias do "mesmo bairo de todas as novelas" porque amava ler; gostaria que ela fosse a mãe de classe média, solteira e apaixonada por um homem que a deixou; não poderia ser a Helena com uma filha mais velha porque esta atriz de "Viver a Vida" vai demorar muito para ganhar cara de mãe-mártir-velha; queria que ela fosse a dona de uma clínica de estética que ganha trabalhando com uma sócia; mas esta Helena não... ela é diferente!

Esta Helena é uma realidade que vive grudada na cabeça de tantos brasileiros, é a mulher negra belíssima e que subiu na vida porque nasceu muuuuuuito bonita. Subiu porque virou modelo, porque se não virasse iria quando para Paris? Nem me façam responder! Quando que ela iria se engraçar com o dono daquele hotel que dá de presente à filha um anel de R$ 45.000,00? E a coisa é tão, mas tão gritante que a outra irmã virou "mulé" de um marginal!!! Eu sei que virá um coro atribuindo isso à índole da tal Sandra e eu não nego que índole é metade do caminho, mas oportunidades iguais é a outra metade. A irmã também é bonita e negra; a mãe delas também é bonita e negra e ambas seguiram um caminho bastante comum para as mulheres que conhecemos.

O mesmo estudo de todas as outras Helenas é o que eu desejaria para esta. A mesma infância, as mesmas portas abertas e as que estivessem fechadas que não fosse por sua cor. Eu desejo às Helenas negras deste Brasil não a mesma sorte que esta última está tendo, mas a "sorte" de serem formadas em uma faculdade pública e de qualidade, como provavelmente aquelas outras duas médicas da novela tiveram. Que os milhões que ela possuísse a gastar não fossem milhões vindos da venda do seu rebolado, gingado, sorriso indefectível e pele linda. Isso as mulatas que aparecem para os americanos também possuem. Eu queria ela toda coberta, vestida de jaleco e afirmando com o mesmo lindo sorriso que esta Helena negra foi a primeira mulher a contribuir significativamente para cura de algum mal incurável! Isso eu bem que queria! Sorbonne por muito tempo e não o Louvre como uma turista apaixonada.

Talvez seja pedir demais a um autor que é fixado num pedaço do sudeste, não? Talvez seja demais pedir que os olhos viciados de todo um país desejasse o mesmo que eu para esta Helena; não daria
ibope. Eu sinto que a novela é mais real do que imaginava e quem sonha sou eu. Escrevo da Bahia, uma terra de Helenas negras e belas, que moram no estado de litoral extenso e lindo, que trabalham, que rebolam e ganham por isso ou não. Escrevem teses de mestrado, pesquisam, fazem doutorado! No dia que Manoel desviar seu velho olhar [ou olhar velho] das alvas Helenas e da mega-modelo-negra-Helena, talvez enxergue opções mais justas, mais fidedignas para as Helenas que virão. Por enquanto o que posso afirmar, é que das Helenas abraçadas pelos fortes e viris homens destas tramas, esta é, na minha opinião, a mais irreal de todas elas!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

TODOS SOMOS MUITOS


A Bahia é um bom lugar? Não sei... eu não sei de toda a Bahia. Posso dizer que Salvador é um lugar que tem seus [grandes] encantos, mas não é o melhor lugar do mundo, pelo menos para quem não nasceu aqui, não se encantou por aqui e não escolheu morar aqui num determinado tempo da vida. Eu gosto de ser baiana, mas poderia gostar de ser mineira e amar ser cearense ou gaúcha. Tudo é questão de ponto de vista ou escolha da alma.

Se eu nascesse em Mato Grosso do Sul iria dizer que teria orgulho de ter nascido lá. Não é o lugar, não é a paisagem, a língua, a cultura que nos faz amar necessariamente estarmos ligados aos adjetivos pátrios aos quais estamos ligados. É a sensação de pertencimento. É a certeza de que somos algo e que este tal algo está em nós; é nosso. Isso basta para que eu ame ser baiana? Não é bem assim. Conheço uma menina, nascida e criada num interior perdido da Bahia e que ama São Paulo - inclusive tem todo o sotaque paulista e isso eu não sei como. O fato é que ela se sente de lá e não se sente de cá. Para ela a Bahia é uma merda e São Paulo é tudo de bom. Gosto não se discute.

Então... fiquei pensando que não há lógica em disputar qual é o melhor lugar, qual o sotaque mais bonito e [pior!] qual está certo; não há sentindo em querer provar que Bahia é melhor que Ceará e vice-versa. O melhor lugar é o lugar que eu escolhi com o coração, mesmo que não tendo outra opção, pois é isso muitas vezes que determina o meu gostar. Eu nasci aqui, andei por poucos lugares, não ganhei mundo, amealhei milhas, não fui em outras paragens por muito tempo, não me mantive tão distante de minha Bahia. Não tenho a menor condição de emitir juízo de valor sobre a terra alheia. Eu uso a preposição "de" antes de nomes próprios e não a contração do artigo definido com a preposição, formando, por exemplo, a palavra "da" colada com o nome Sâmia. "Eu peguei a caneta
da Sâmia", aos meus ouvidos soa como algo fora do comum, mas em outros estados não é bem assim. Isso é ruim, mas para mim que estou acostumada com outra maneira de escrever e falar. Ponto final na discussão. Não posso, a partir do que eu acho estranho, começar uma briga para o que é melhor ou não. Isso é base para muito preconceito e fundamentalismo.

E não é o que vemos contra os nordestinos? Em São Paulo qualquer coisa de errado que se faz não é uma "baianada"? E para não entrar nesse terreno obscuro e feio, prefiro nem comentar nada a respeito dos paulistas, pois gosto de muitos deles. Não é o fato deles serem paulistas ou baianos que me fez gostar de cada um. O fato é que em todo lugar sempre haverá coisas boas e ruins e que na hora de uma contenda só lembraremos das coisas boas de nossa própria terra para esfregar na cara do turista [sim, porque baiano é tão ruim que nossas praias andam cheias de paulistas].

Temos a
doce ilusão de que nossa opinião é a opinião do mundo e se não é, deveria ser. Somos egocêntricos e por isso também nos tornamos xenofóbicos. "É que Narciso acha feio o que não é espelho", quem falou isso foi um baiano sobre a cidade de São Paulo. E eu acredito seja isso uma ironia. E é uma pena que, de ironia em ironia, forjemos mais um terreno fértil para que nasça a semente do bairrismo, da segregação, da classificação linear de melhor e pior cultura e lugar para se viver.

O melhor lugar é o meu porque eu só sei ser eu. Daqui eu fito o mundo se não fecho os olhos para o outro. Mas se me cego de orgulho e preconceito fomentadores da segregação, acho o outro sempre muito feio, muito burro, muito atrasado. E o outro, o que achará de mim? Tapado.

domingo, 23 de agosto de 2009

SILÊNCIO COMIDO


Imaginem um monstro que engole silêncio... ele come o silêncio aos poucos e nós somos obrigados a falar e pensar [pensar faz barulho]. Obrigados a se pronunciar! Pois, estamos todos vivendo a era do monstro que come o silêncio!

Quem mais tem tempo de silenciar a mente e a palavra falada? O hoje nos obriga a viver na velocidade da informação, na velocidade da televisão, no molde dos barulhos produzidos - dentre eles, aqueles a que alguns chamam de música, mas eu nunca consigo entender por quê. Tudo é produzido de uma forma e temos que saber as novidades, sob o risco de estarmos defasados, como também temos que opinar sobre tudo: política, futebol, novela, livros, poesia, moda, internet e etc de etc! Você aperta um botão e uma profusão de cores, sons, imagens são jogadas em sua casa e você ali de boca aberta engolindo tudo; ao chegar no ônibus você ouve pessoas falando de tudo aquilo, de todas as histórias e denúncias do jornal nacional e não consegue deixar de prestar atenção. Em pouco tempo, olha você comentando como um repetidor as mesmas palavras [ou aumentadas] que ouviu outro alguém dizer!

A mente fica funcionando rapidamente para administrar tudo o que se absorveu durante o dia e não meditamos no que queremos para nós mesmos. Não silenciamos a mente - não é parar de pensar, porque o pensamento não se estanca, é selecionar o que queremos focar. Mas como fazer este exercício se estamos enfiados num mar de informações veiculadas de todas as formas? Bem... eu tenho algumas dicas que sigo. Uma delas é não comprar tantos compromissos com tudo à minha volta. Parece que precisamos saber de tudo um pouco e não é bem assim, pois não lidamos com todas as coisas que sabemos. É importante matermo-nos informados sobre coisas importantes, mas sobre tudo, não. Sair um pouco, relaxar a mente da política, da gripe suína - que se tiver de lhe pegar, vai pegar - do chefe, da empregada que não faz o que se pede, do marido ou da esposa - vocês nasceram separados, não se esqueça - e de tudo aquilo que não podemos controlar. Acredito que este seja o ponto crucial, o controle que queremos exercer sobre todas as coisas, a ânsia de segurança, de manter-nos cônscios sobre as coisas que nos cercam e mesmo aquelas muitas que não nos dizem respeito e não nos fazem falta. Pronto... comecemos a calar a mente de todas as coisas que não podemos prender, controlar, mandar e reter, ou seja, todas as pessoas, todas as vidas que amamos e o futuro.

A única coisa que podemos controlar é nossa ação na vida dos outros e no mundo. Então pensemos no que podemos fazer para tornar o mundo mais feliz, como daremos nossas respostas às questões que se nos apresentam; criemos aquele território ético e automático de ação para com todos sem muita preocupação com o que pensarão sobre nós [isso, definitivamente, não controlamos] e silenciemos a mente. Priorizar com o que queremos nos ocupar - não preocupar - é de suma importância para não deixarmos que o nosso tempo seja consumido com todas as coisas superfluas que nos enfiam sentidos abaixo. Estamos vivendo uma época de produções exarcebadas de valores que consumimos como os patos engordados à força para que alguns humanos comam seus fígados, mas em nosso caso, comem o nosso precioso silêncio.

Termino este texto com um trecho de uma música de Lenine:

"O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência..."

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

LAÇOS


Um fio de caminho sozinho não tece nada. Vamos andando e atando laços. São tantos que ao longo da vida concretizamos... uns mais belos que os outros. E o que seria da vida sem aquele laço que se forma no cordão umbilical? Não seria! E o laço que damos no dente de leite e puxamos para que nasça um outro no lugar? É engraçado pensar que a vida é um grande novelo de linhas múltiplas, que se encontram e desencontram, às vezes, para nunca mais...

Há aquele laço que damos voluntariamente e que se chama amizade. Importantíssimo! Indispensável! Laço bem dado este! O fio paralelo, enlaçado, eterno da amizade é o amor fraterno em plena ação. Nossa... de pensar me emociona. Não tem desespero, obrigação, rolo de pastel atrás da porta, aniversário de sogra, aliança de ouro... sem panelas pra lavar, pares de meias trocados, nem lado da cama preferido; nada disso se impõe a um amigo, e para falar toda a verdade: amizade nunca se impõe. Não tem obrigação de dar certo e não contamos os meses; não fazemos planos pro futuro, nem bodas de prata, não tem herança, litígio, bens! Não tem "se você me deixar eu morro", assinatura, mudança de nome [nem de planos!!!]. Herdeiros, herdades, vaidades, maquiagens, afinal é amizade e estamos falando de laço voluntário.

Olha só que beleza. Um dia conhecemos alguém, depois de um tempo este alguém partilha nossos contos, cantos, medos, desejos, segredos; luta por nós, conosco e nós por ele. Sentimo-lhe a falta, mas sem problemas de marcar encontros todos cheios de pompa, que é isso? Amizade se compra? Duvido! Sentamos na beira da calçada descalços, descabelados, de camisa de casa, sem escovar os dentes depois do lanche, sem fazer as unhas e sem escolher sapato. Amigo, de fato, é o que olha o olho, a alma, o sorriso [não o dente], que estima sem penduricalhos que escondem tudo de mais simples e belo. Você senta na praça, enfia as maõs no bolso e acha umas moedas, vai ali, compra um biscoito, um suco e divide isso com seu melhor amigo, sem pressa, sem título de faculdade, sem emprego bombadão, sem carro [nem do ano, nem de ano nenhum]. Colo de graça, ombro pra sempre, tudo em duas mãos, em via dupla, em qualquer direção, cor e credo. Mais belo que isso? Só amor de mãe pra filho.

Você está numa pior, perdeu tudo, mas não existe isso de perder amigo. Isso é impossível! Se perdeu, é que não era amigo. Você está longe, viajou pro outro lado do mundo; se perdeu, é que não é amigo. Você casou, teve filhos; se o amigo sumiu, é que não é amigo. Ganhou uma bolada de dinheiro, ficou rico; se esqueceu daquela pessoa do banquinho da praça que dividiu o suco e o biscoito contigo, você é uma merda de gente que não vale mais nada! E se só faz amizade com aquele povo que pode te dar status e qualquer coisa material em troca? Sinto lhe dizer que você tem grandes chances de morrer numa profunda solidão.

Se existe um laço mais leve e mais forte que não tenha o aval da consanguinidade para acontecer, este laço se chama amizade. Não há nada mais brando e aquecedor que ter amigos. Um casamento sem papel, um compromisso sem amarras, uma companhia sem interesse sexual, uma mão sincera. Isto é amigo. E é bom que possamos estender este laço para todos os laços de nossas vidas, porque qualquer coisa pode durar muito, mas sem amizade, jamais será eterno!

{aos meus grandes amigos da Vida}

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

NÃO, NÃO E NÃO!


É preciso ter um pouco de coragem para dizer não. Temos medo de perder. Eu sinto muito medo de magoar as pessoas, mas se for olhar um pouco mais atentamente vou perceber que não é bem no medo de perdê-las que mora minha dificuldade de negar alguma coisa. Há uma outra questão que necessita de crueza para assumir como sendo verdade, estou falando de orgulho. Mas isso está bem mais ao fundo e como base de tudo; falando assim não dá pra ver onde mora o orgulho.

Não queremos desagradar, porque não queremos ficar sós. Mas também não queremos nos abrir, sermos totais, sermos francos. Nós queremos conquistar as pessoas, parecermos perfeitos e bons de se apostar. Então... fazemos concessões indevidas, falamos sim quando queremos dizer não, corremos atrás de alguém que não vale a pena respirar o mesmo ar que a gente e tudo isso porque não admitimos receber também um NÃO. Hummm será que estamos começando a detectar onde mora o orgulho?

Quantas vezes nos portamos como criancinhas mimadas que não admitem perder? Quantas vezes fazemos barganha, imploramos atenção com comportamentos que só ferem a gente mesmo? Por que manter em nossa vida pessoas que não valem para gente uma moeda furada? No fundo está a velha ilusão do controle, do poder... por trás da fragilidade de quem sempre diz sim a tudo, está alguém que não lida bem com perdas e com "nãos".

Vou lhes dizer uma coisa engraçada. Tem um ser humano que está me ligando e mandando mensagens há algumas semanas. Eu tenho CERTEZA de que não quero conversar nada com ele. Não tenho nada para lhe falar e não sinto a menor vontade de lhe ouvir as baboseiras. Ele é metido, age no melhor estilo "se acha", tem uma lista de meninas apaixonadas atrás dele [e que ele faz questão de ostentar] e enfiou naquela cabeça - que deve ter lá muito espaço vago - que eu tenho que sair com ele. Pois bem... eu ainda não tive a coragem de falar tudo isso a ele. Óbvio que se eu usar estas mesmas palavras estarei sendo uma grossa, o que não costumo ser com ninguém, mesmo que implore. Mas eu, na hora "h", fico com PENA. E agora eu me pergunto: Tem cabimento? É mesmo por causa da pena que eu não lhe mando pastar? Isso eu já respondi lá em cima.

São sobre estas pequenas coisas que estou falando, cuja a existência evidencia nossa grande ilusão de controlar tudo, inclusive o que acham de nós. O que mudará em mim se ele se sentir desagradado com minhas respostas? Nada. Essencialmente, nada. Ter cuidado para não magoar as pessoas é imprescindível, mas não devemos ser condescendentes no momento em que se é necessário deixar claro o que gostamos ou escolhemos para nós mesmos, sem permitir que o outro violente nosso espaço. O querer dele ou de quem quer que seja não pode sobrepujar minha liberdade, minhas escolhas, minha autonomia. Ele não é mais importante que eu para mim mesma. Se ele se chatear com o meu não bem redondo, eu não poderei fazer nada.

Sei que falando estas coisas me exponho, mas também sei que estou exposta a pessoas que sentem o mesmo que eu, em maior ou menor grau. Não estou sentindo medo de que possa ser mal interpretada. Isso é sempre possível. Faço questão de assumir este defeito, esta nuance e dizer que batalho desde há algum tempo para vencer estes maus hábitos adquiridos sabe-se lá quando. Acredito que outras pessoas passam por isso em suas vidas e se estiverem lendo estas palavras francas que pensem um pouco nas próprias ações. Amar a si mesmo é o primeiro passo - SEMPRE.

sábado, 15 de agosto de 2009

CULPA


Quantas vezes já ouvimos esta palavra? "A culpa é sua", "eu sou culpado", "quem é o culpado por tudo isso?". Desde quando a culpa nos acompanha? Ela é indispensável?

É estranho pensar no mundo sem a culpa, afinal de contas temos a mania de confundi-la com arrependimento e isso ela não é. Como não? Não é, simplesmente! O arrependimento é o reconhecimento de que a atitude que se cometeu foi errada; depois dele vem aquela tristeza por vários motivos - todos ligados à consciência de moralidade de cada um. Entristecemos, por exemplo, por termos atingido os outros, por termos nos atingido, por termos tomado a atitude que nos levou a um caminho indesejado, ou que fez alguém sofrer. Qual o próximo passo?

O próximo passo - nos diz a consciência culpista - é sofrer pela ação errada cometida, alimentar a tristeza, considerar-se indigno e, somando isso tudo, ser culpado, sentir-se culpado. Péééééé [sirene] passo em falso! Agir desta maneira automática é fruto de uma educação milenar e católica que nos impôs um modus operandi para fugir de um inferno eterno. O problema é que esta atitude plantou no fundo das consciências o inferno pessoal e ambulante. Criou consciências culpadas e "culpadeiras", porque não basta nos flagelar, em nossa sede moralista inflingimos ao outro a carga projetada de nosso medo atávico.

Um passo íntegro e justo, depois do arrependimento, é enxergar com compaixão a si mesmo como um ser imperfeito e que, por mais queira e tente ser perfeito nas ações e pensamentos, ainda trará por um certo tempo traços da própria imperfeição e ignorância. Ainda magoará e ferirá aos que ama - que dirá aos que não ama ainda! Consciente de que erramos, devemos nos RESPONSABILIZAR pela atitude que tomamos e ADMINISTRAR as consequências de nossos atos, mas sem esquecer que Justiça mesmo nós não podemos fazer. Nossa capacidade de julgamento é, por vezes, tão simplista e imediata que não chegamos a lançar o olhar para fora de nós mesmos e acabamos atribuindo um defeito que é muito nosso ao outro. E como eu creio em Deus e na sua Sublime Justiça, sei que Ele dará a mim de acordo com minhas obras [quem disse isso foi Jesus]. Como acredito em Sua Perfeição, sei também que Ele me dará a oportunidade de refazer um caminho, porque Ele quer a morte do erro e não do "errador" [Jesus disse isso também]. E sendo Ele todo Amor, deve amar de forma plena, aliás, Deus é Amor e assim sendo, não pode ser menor que eu, que sou sua criatura e consigo amar minha filha a tal ponto que tantas vezes forem necessárias eu a perdoarei. E se eu acreditasse num inferno, para lá iria só para não vê-la sofrer. E por falar outra vez em inferno, se ele existisse, para mim, seria a prova irrefutável da incapacidade do poder divino de estar em todos os lugares e ter todo o poder, pois parte de algum lugar teria um espaço de dores e penas eternas para filhos que Ele criou e que por ser Onisciente, saberia que aquele ser iria se desviar. A misericórdia divina tem que ser melhor em tudo que a minha. O perdão Dele tem que ser infinito e maior que o meu, a quem foi pedido perdoar não só 7 vezes, mas 70 vezes 7 vezes. Se devo fazer isso ao meu próximo, para mim devo aplicar a mesma medida, uma vez que também devo amar o próximo como a mim mesma [by Jesus]. Imaginem só a multiplicação de Deus!

Considerando que A Força Maior exista, Ela deve ser infinitamente maior em tudo que é bom e mais além [pois não sondamos os mistérios divinos]; o que não posso conceber é ver em Deus traços humanos. Ou seja, o que eu quero dizer com tudo isso? Que a culpa é criação nossa! Quero dizer que a culpa é uma tentativa absurda de fazer justiça consigo mesmo e para isso se auto-flagela desacreditando na Justiça Divina e em Sua misericórdia. É comum ouvir dos culpados que Deus não se importa com ele, que tudo está perdido e que nem orar ele deve mais, pois Deus não o ouvirá mais. Como se Deus fosse tão mesquinho e vingativo quanto nós costumamos ser! Como se Deus fosse um senhor ciumento e orgulhoso, cuja vontade não foi obedecida e Ele resolveu dar o troco. Não tem algo de errado nesta história contada há tanto tempo? Não está na hora de ter mais fé? [Onde a fé entra nesta história?] Fé é a crença firme em algo bom - pra resumir. O contrário se chama medo, que é a crença firme em algo ruim. Se nos falta fé, nos sobra o medo. E como Deus é infinitamente bondoso, não preciso temer mal algum. Não preciso temer sua Justiça. Bem aventurados os que sofrem e choram, porque estes serão consolados [Jesus]. E como o Amor cobre uma multidão de pecados e sendo Deus Amor, Ele dará a oportunidade de que refaçamos nosso caminho sem o peso da culpa, mas com a consciência da responsabilidade, pois a quem muito é dado, muito será cobrado.

Devemos encarar de frente a Vida, mesmo tendo errado. Errar é humano, não? E para isso não há quantidade. A dor, depois que insistimos muito em errar, nos convida a voltar para o "aprisco", para o caminho reto que conduz a salvação. Se nos prendemos numa atitude de culpa, a única alternativa que nos resta é sentar à beira da estrada e esperar nossa sorte; a culpa paralisa nossas potencialidades de movimentação, pois o culpado crê firmemente que para ele a solução é o famigerado inferno [que inferno!]; entretanto o ser responsável busca de alguma forma consertar o erro e não permite nem a si mesmo nem a outrem que lhe joguem pedras, afinal quem estiver isento de erros que atire a primeira delas.

Justiça não é vingança, culpa não é responsabilidade nem arrependimento; não somos perfeitos, mas perfectíveis, portanto passíveis de melhora sempre, Deus é fiel a si mesmo [Lei é lei] e não vai privilegiar um filho em detrimento de outro. Jesus disse que Ele é Pai, se somos iguais, somos irmãos. Se somos irmãos de um mesmo Pai é que temos todos os mesmos direitos e deveres. O filho pródigo que saiu pelo mundo a gastar todos os bens que possuía, quando resolveu voltar e refez todo seu caminho de tristeza até chegar ao seu lar, foi recebido de braços abertos e festejado. Com tantos exemplos de misericórdia e perdão não é auspicioso [rs] que continuemos fazendo da culpa a nossa melhor opção. Pensemos nisso e bola para frente que o gol também é estreito! [Eu tinha que fazer graça com a porta estreita] Vamos treinando!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

DISCRIMINAÇÃO


Ser diferente é motivo para se chamar atenção. Mas não se chama só atenção quando se é diferente: chama-se a reprovação, as críticas, as pedras, as vaias... enfim tudo que seja representação do desgosto geral. Por que?

Necessidade de haver padrão. Há? Acredito que não. Um crivo moral, externo e falso, que muita gente costuma lançar no rosto alheio. Precisamos disto? Direi mais. Lançamos sempre um crivo moral sobre coisas que são por si só AMORAIS. Ser bípede, mamífero, vertebrado, homem, mulher, negro, branco, heterossexual, homossexual é AMORAL. Não possui juízo de valor estas características do ser humano. Aposto que teve gente que se sacudiu na cadeira quando falei da homossexualidade, não é? Claro! E espero profundamente que não tenham se sacudido quando falei da cor da pele também... já é demais para minha cabeça alguém se incomodar com a sexualidade alheia, que dirá com a cor da pele!


Moralmente certo ou errado é o que fazemos com as características que possuímos. Se uso minha sexualidade para fazer mal a alguém, sendo hetero ou homossexual, serei errado de qualquer maneira! Se me utilizo da condição de homem [e aqui me refiro ao gênero masculino mesmo] para humilhar, agredir, tripudiar [ou seja lá o quê de negativo] a uma mulher, estaria eu sendo errado. Se me sinto superior por ser branco ou negro, isso é errado. É o que fazemos com o que temos que nos torna IMORAIS ou não. E enquanto agirmos negligenciando isso seremos fomentadores da intolerância que vige em nossa sociedade. É normal atirarmos bombas nos outros? Quando vemos uma cena qualquer de guerra, achamos um horror, não? Na parada gay de São Paulo um homicida jogou uma bomba de cima de um prédio e ele não é melhor ser humano que as pessoas que estavam naquele local. Mas é muito provável que ele consiga adotar crianças e criá-las tendo o certificado social de "normal" porque não é gay.

Isso que acabei de dizer não é sem pé nem cabeça e não estou juntando duas características, nem comparando "erros"; estou dizendo que é assim que funciona a nossa sociedade! É assim que a maioria de nós se comporta, se não conscientemente nos portamos assim inconscientemente. O negro tem que enfrentar durante toda a sua vida escolar chacotas, xingamentos, risinhos. Ver um negro numa escola de classe média ou alta é digno de nos prender o olhar por alguns minutos! Porque achamos um fato digno de menção um ser humano estar na escola particular e cara e ele ser negro.

Vamos falar então de defeitos imorais; defeitos que empurram o ser humano para sua face indigna? A intolerância, o egoísmo, o orgulho, a vaidade, o preconceito são defeitos, chagas que carregamos em maior ou menor grau em nós. Algumas pessoas se esforçam bastante por dirimi-los da própria personalidade, mas ainda assim trazemos estas chagas, mais ou menos abertas em nós. Então... quem atiraria a primeira pedra tendo PLENA consciência de que possui defeitos? Muitos, não? O pior é quando achamos que o nosso defeito é pequeno e o do outro é imenso e daí açoitamos o próximo a partir do nosso patamar "superior". E claro que o que é diferente é um defeito e na nossa sanha de classificar as pessoas, colocá-las em prateleiras e enquadrá-las, demonstramos o quanto somos imbecis no julgamento e na tentativa de julgar. Matamos, oprimimos, sabotamos, violentamos o outro achando que nossa posição é sempre referência e privilégio. Quando isso terminará? Quando é que o ser humano vai acordar e perceber que é farinha do mesmo saco e para ele ser melhor [do que é hoje, não que os outros] é preciso sanar tudo de ruim que ainda carrega?

Sinceramente, estou cansada de tanto ódio, tanta desumanidade, tanta exploração, opressão e preconceito! Cansada de ver a sociedade pregar que homem é sexo forte e que não chora, que mulher tem que se submeter, que heterossexual é melhor que homossexual, que o branco é lindo e o negro é feio e que negro bonito é o que possui "traços brancos"; cansada de ver pessoas com qualquer deficiência física sendo tratadas de forma eugênica, sendo extirpadas do convívio social por serem impedidas de ter acesso irrestrito a todos os lugares. Se uma pessoa não sabe respeitar a outra [qualquer pessoa que não seja ela!], como pode se julgar boa? Digo, boa o bastante para emitir juízo de valor. Você [que discrimina] também é suportado! Aquele que é considerado imoral, sujo, feio - muito embora você não queira - lhe é IDÊNTICO.


E antes que eu ponha um ponto final no texto, quero lembrar de questões simples: saia do seu lugar e se ponha no lugar do outro. Como se sentiria sendo destratado? Como se sentiria sendo tolhido de exercer qualquer direito na vida? Por que o outro é sempre alvo de suas críticas, não seria muito mais efetivo lançá-las a si mesmo?

Um dia eu verei este mundo melhor. Tenho certeza!

terça-feira, 14 de julho de 2009

TER CORAGEM


Ter coragem não é enfrentar um touro bravo, é assumir para si mesmo que não possui a força física para vencê-lo.
Ter coragem não é sustentar uma inverdade até o fim, mas assumir que estava errado.
Ter coragem não é gritar quando alguém grita com a gente, mas se calar quando o outro não nos pode mesmo ouvir.
Ter coragem não é beber até cair, mas manter-se sóbrio diante de si mesmo.
Ter coragem não é "dizer umas verdades" a alguém, mas não plantar mentiras.
Ter coragem não é "não levar troco", mas dar a face.
Ter coragem não é assumir a culpa, mas considerar-se responsável.
Ter coragem não é dizer que não precisa de ninguém, mas assumir que se sente saudade de um ombro.
Ter coragem não é não dar o braço a torcer, mas saber voltar atrás e dizer "perdoa?".
Ter coragem não é ter muitos namorados[as], mas estar integralmente leal a um[a] só.
Ter coragem não é fazer parecer que está tudo bem, mas ser fiel aos próprios sentimentos.
Ter coragem não é ser o que os outros querem que sejamos, mas respeitarmos as diferenças.
Ter coragem não é criticar trabalhos, mas levantar -às vezes sozinhos - algumas pontes.
Ter coragem não é pular de bungee jump, mas assumir que seu limite vai até ali.
Ter coragem não é amar quem nos ama, mas amar quem nos considera inimigo.
Ter coragem não é emprestar a quem pode nos pagar, mas àquele que nunca vai nos restituir.
Ter coragem não é jamais desistir, mas entender que se tem certos limites e que há momento para tudo, até para vencer.
Ter coragem não é sustentar uma opinião até o fim, mas refletir sempre sobre a possibilidade de se estar errado.
Ter coragem não é andar no escuro, mas no meio de toda a treva acender uma luz.

Coragem se desenvolve, se aprende, se exercita. Ter coragem é estar na vida!

{Sâmia}

quinta-feira, 9 de julho de 2009

HEAL THE WORLD


Estava indo dormir agora. Fechei o msn, o gmail e iria fechar o orkut quando resolvi ver um vídeo que minha irmã me deixou. Quem me conhece sabe que não vejo quase nenhum que me mandam. Não sei o motivo, acho que é falta de paciência em esperar baixar mesmo. Enfim... desisti de dormir por instantes. O vídeo era da música título do post. Sabem que ela é de Michael Jackson. E eu havia pensado em não falar sobre ele - como, de fato, não falarei muito -, entretanto algo muito mais forte me fez sentir uma vontade imensa de gritar qualquer coisa sobre o que eu ouvi e li. Acho que nem gritarei o suficiente para falar sobre o que senti.

Não deve ser simples um ser que constrói uma melodia destas. Não é o absurdo musical, melódico; não é uma melodia digna de ser lembrada por sua construção ímpar, mas não é isso que faz uma música ser um hino. Ela é bela, sem dúvida. Para mim, pelo menos, é! O que a fez ser um rasgo de alma é a conjução letra e melodia e isso destaca seu compositor dentre tudo. Destaca-o e o distancia de outros tantos - bons e maus - que não fazem muito. São bons os que beneficiam somente os seus? São, mas há quem faça mais. Eu confesso que invejo o Michael e outros cantores que fazem de sua música um resgate de almas. Talvez o talento que possuam muito além do meu justifique isso, embora minha vontade seja imensa. E a alma é tão mais bonita em sua bondade, que no momento em que ela partiu daqui deste planeta, foi infinitamente mais lembrada por estas construções imperecíveis [insisto em ter certeza de que o mal perece, inapelavelmente].

Até me despreocupo em acharem que estou escrevendo sobre ele e que, sendo isso, eu ainda estaria na onda do "morreu, virou santo". Eu não falo só de Michael, mas de todo poder que têm as almas que dedicam efetivamente parte de suas vidas para fazer diferença na vida do mundo! Eu estou falando dos que lutam pelos seus e "os seus" são todos. Essa música tem a capacidade de acordar em nós aquela parte anestesiada, cultivada pela indiferença, alimentada pelo egoísmo diário; tem o poder de fazer-nos sentir a necessidade de dar um basta em tudo que há de mal, a começar em nós.

Uma música que precisa ficar gravada. Ainda bem que houve um dia aqui pessoa com capacidade de falar de amor, de esperança, de justiça, de paz, de harmonia, de altruísmo... além de Jesus, outros lançam mão do que têm para pensar e fazer algo a mais. Michael não era só um grande dançarino [iguais? onde?], um bom cantor e que também compunha. Era um ser humano que sofreu em sua infância coisas que eu e você, que lê este texto, nem sonha em viver; era um ser humano, cuja música nos lembra que nossas atitudes plantam um mundo melhor, e este mundo nasce de uma ação que tem a dimensão do grão de mostarda. Quantos falariam de amor, cantariam sobre o amor tendo vivido o que ele viveu? Sei que ressoarão repostas cretinas e tão pífias quanto quem as elaborou, dizendo: "se eu tivesse o dinheiro que ele tinha, faria a música que você pedisse". Dois erros: ele não teve sempre dinheiro e música [deste calibre] só se faz com uma alma imbuída de propósitos dignos. Não é o caso de quem é pago tão somente para isso. Se assim o fosse, nasceriam músicas por todo mundo, brotando das almas [?] de poderosos, falando sobre a fome, a poluição, a guerra que fomentam, as drogas e o tráfico... tentando indignar o mundo. É preciso mais que dinheiro!

Que esse prurido não cesse em nossa alma, que as lágrimas faladas na música se concretizem, que o mundo seja mesmo um lugar bem melhor para se viver, que armas virem arados, que cores de peles se abracem, que nos tornemos melhores! Ouçam esta música, insistam e ver o que ele viu! A versão, feita pelo grupo Roupa Nova, merece recomendação; embora versões nem sempre sejam dignas de menção, esta pode ser cantada sem medo de estar ferindo a alma da música original. Afinal de contas, Michael cravou em sua música algo tão forte que pode ser traduzido em qualquer língua: amor.

Tem como não falar de Michael lembrando a semente plantada por ele? Não... frutos e árvore se confundem!

"A PAZ

Deve haver um lugar dentro do seu coração
Onde a paz brilhe mais que uma lembrança
Sem a luz que ela traz ja nem se consegue mais
Encontrar o caminho da esperança

Sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homens
Se fazendo irmão e estendendo a mão

Só o amor, muda o que já se fez
E a força da paz junta todos outra vez
Venha, já é hora de acender a chama da vida
E fazer a terra inteira feliz

Se você for capaz de soltar a sua voz
Pelo ar, como prece de criança
Deve então começar outros vão te acompanhar
E cantar com harmonia e esperança

Deixe, que esse canto lave o pranto do mundo
Pra trazer perdão e dividir o pão.
[...]
Quanta dor e sofrimento em volta a gente ainda tem,
Pra manter a fé e o sonho dos que ainda vêm.
A lição pro futuro vem da alma e do coração,
Pra buscar a paz, não olhar pra trás, com amor."


terça-feira, 7 de julho de 2009

SABER SER O QUE SE É E PRONTO!


E se tudo o que eu sei fosse revelado? E se tudo o que eu sinto fosse entendido? E se eu pudesse entender o que todos falam? Eu não seria eu! Seria... quem eu seria? Quem sou eu?

Não tenho perfeição. Não sei de tudo o que me perguntam. Meus sentimentos não são todos positivos. Eu não sou a melhor pessoa deste mundo. O que sei é que no lance da perfeição eu me esforço muito. Sobre as perguntas que me fazem, eu respondo quando sei, quando não sei eu digo: "não sei o que é, você sabe?". Sentimentos entram na lista da perfeição: tenho um infinito por construir. Enfim... sempre é bom chegar a conclusões que lhe coloquem no seu devido lugar - ainda que você não o tenha etiquetado. É bom saber que eu sou a melhor que posso ser por agora.

Se Deus me permite errar, por que merda eu haverei de me importar tanto com o que um reles mortal como eu pensa sobre minhas escolhas? Eu não falo isso quando atinjo alguém. Não, isso não. No que concerne aos outros, quando eu erro, peço desculpas. Pode até ser que o outro demore para entender que eu estou dizendo que errei, que me arrependo e que sinto muito; mas aí já é com ele. Mania que as pessoas [até eu devo ter esta porcaria de comportamento às vezes] têm em querer sanar toda raiva até o final... resolve? A mágoa é sua... o reverso é válido!

Eu erro, tu erras e todos nós erramos... isso é bom porque cria a solidariedade geral. Todo mundo no mesmo barco sem regalias. Chega de falar de erro...

Sabe o que pensei agora? Numa revista em quadrinhos! Sabem quando a Mônica ou qualquer um da turma dela sai do quadro e cai na parte branca? rs Sabe quando há algo para além do quadrinho colorido e este algo fala com eles? Pois é... estou exatamente assim... o pior de tudo é que sei que vai demorar muito para aparecer aquele quadradinho escrito "FIM" no pé da página. Tem horas que eu quero que a vida seja uma tirinha! rsrsrsrs Mas eu sei que Deus não economiza papel em se tratando de mim; Ele gosta de me ver atuar, deve ser meu fã, na certa.
Eu tinha mania de ler o final da história, mas agora nem isso eu posso! Minhas "bruxarias" ficam restritas ao quadro mesmo. E por falar nisso, minhas histórias preferidonas são as do Penadinho. Alguém me esclarece por que Maurício não lança um almanaque só com aquelas preciosidades? Desde pequena sempre gostei de "coisas do outro mundo" e hoje nada mudou.
Ainda lá... na parte branca fora do quadrinho colorido... estou por lá. Olhando as pessoas e as coisas. Cadê o Anjinho? Eu queria ir parar naquela nuvem. Na verdade, eu queria comer feito a Magali e não engordar nenhum grama. Se Deus me desse a força da Mônica, eu poderia cometer algum homicídio. rs Melhor deixar quieto. Falar errado como o Cebolinha é batata, de vez em quando minha irmã me pede pra falar alguma palavra onde as letras "g" e "z" estejam em sílabas próximas: é um desastre.

Pensei noutra coisa: a vida é um jogo dos sete erros. Passamos muitas situações repetidas até que olhemos o detalhe que está fora do contexto e consertemos; mas o primeiro passo é achá-los. A diferença é que se fosse sete mesmo eu já tinha achado há um tempão. Mas são tantos... [É bom porque aí a revista fica mais grossa, demora de acabar!]

Estou cansada, fim de semestre na faculdade; hoje eu fiz uma prova e estou aqui com sono porque fui dormir às 2:00 h estudando.

Agora eu descobri porque amo, amo, amo canetas, lápis, papéis coloridos: preciso contruir neste mundo minha própria história em quadrinhos, mas com o material que tem por aí, só colocando mais cor em tudo isso:

"Vou pintar um arco-íris de energia
Pra deixar o mundo cheio de alegria
Se tá feio ou dividido
Vai ficar tão colorido
O que vale nessa vida é ser feliz
Com o azul eu vou sentir tranqüilidade
O laranja tem sabor de amizade
Com o verde eu tenho a esperança
Que existe em qualquer criança
E enfeitar o céu nas cores do amor
No amarelo um sorriso
Pra iluminar feito o sol tem o seu lugar
Brilha dentro da gente
Violeta mais uma cor que já vai chegar
O vermelho pra completar meu arco-íris no ar

Toda cor têm em si
Uma luz uma certa magia
Toda cor têm em si
Emoções em forma de poesia"

{Não resisti! rs}


sexta-feira, 26 de junho de 2009

A SANHA CHICLETISTA!


"A vida é minha e eu faço o que quiser!" Sabe? Cada dia a mais eu desconfio que isso é um grande equívoco! Pensar que nossa vida é só nossa é bem natural, mas achar que tudo o que diz respeito a ela atinge somente a nós mesmos, é errado.

Você fuma. O pulmão é seu. Os dentes amarelados, o mau hálito, as rugas em volta da boca e o eterno cheiro de fumaça ao seu redor também sao seus. Fume longe de mim! Muito longe! Odeio cheiro de fumaça! Você tem plano de saúde? Legal... quando ficar doente seu plano vai cobrir suas despesas. Não tem plano? Quando você se tornar um cardiopata ou sei lá qual complicação decorrente deste hábito, ocupará um leito do SUS. Fico pensando que você poderia arcar com esta escolha também, não?

Você bebe. O fígado é seu. Também tudo que lhe carcteriza, da mesma forma que o fumante, é de sua conta. O leito que você ocupará no SUS com uma cirrose galopante [o galopante é por minha conta] poderia ser ocupado por um doente qualquer. Mas você estará lá... incólume, ocupando o lugar de um cara que adoeceu por outros motivos.

Agora... falarei sobre o que me motivou a escrever um texto. O chiclete. Diabos de chiclete! Não haverá aqui um discurso contra o chiclete, afinal de contas o dente cariado é seu, o estômago roendo também, enfim... mas não é seu o sapato grudado pela borrachinha de mascar gasta. Não é seu o trabalho de tirar do pé aquela porqueira grudante que sai pegando tudo quanto é lixo a cada pisada! Masque sua borracha doce, mas tenha a decência de enrolar num papel [o mesmo que ele veio antes de entrar na sua boca] e jogá-lo no lixo! Eu não tenho nada a ver com sua preferência por morango, tuti-frutti ou hortelã, mas não quero levar de presente na sola de MEU sapato sua lembrança salivada!

Eu estou falando sobre pequenas ações que refletem o tanto de egoísmo que ainda possuímos. Estou falando, na verdade, da ilusão que temos de estarmos sempre numa bolha só nossa e não numa grande bolha azul coletiva. Essa consciência que pouco a pouco brota em algumas pessoas, deve ser incentivada ao máximo. E nas mínimas coisas, como no chiclete, por que não?

Devemos pensar mais nos outros, na importância do sentimento dos outros e o quanto as nossas ações interferem na vida de alguém. Isso não é virar marionete, pois nos sobram milhões de outras escolhas que não atingem o nosso próximo e que não nos tiram a liberdade. Exige sacrifício? Sim... mas no final das contas também não seremos vítimas do nosso próprio egoísmo? Essa coisa de dizer que o "mundo é dos espertos" é auto-destrutiva. Só sobrarão espertos? Eles farão o que quando estiverem entre si? O mundo não pode ser só dos espertos e egoístas. Que vivem como se estivessem sozinhos! No final das contas, realmente, vai ficar como no jogo "resta um".

Não seja chicletista, não seja o símbolo do egoísmo detruidor, porque não pense você que seu chiclete não volta ao seu pé, ou ainda melhor: o chiclete de outro egoísta como você pode te "pegar" na próxima esquina.

{Homenagem a Claude}


sexta-feira, 19 de junho de 2009

VOCÊ É "TUDO"?






Por mais que não pareçamos certos, que sejamos tortos aos olhos da estética padrão é bom reconhecermos nós mesmos espelhados em algo que consideramos bom. Vão olhar e dizer: "deveria ser assim, ser assado, ser do jeito que fulano de tal falou, fez, mostrou", mas assim, assado e fulano de tal não é você. Você é justamente, o conjunto de coisas que lhe faz diferente de tudo. Pode ser que achem uma "sequência genética" da alma parecida com a sua, mas jamais encontrarão por aí "gêmeas de espírito" [quero deixar, logo, bem claro que acho uma balela esta história de alma gêmea. Suponhamos que as almas sejam parecidas, para mim elas são, no máximo, sócias]. Ser único e dizer isso nas menores coisas é assumir para si mesmo cada um dos seus limites [que são, na verdade, auto-impostos], é saber que o pé que Deus lhe deu só vai até 30 Km, mais do que isso é o pé do vizinho e não o seu.


E vamos combinar: ser você mesmo não é entrar numa onda de "forçação de barra" alternativa e usar "All star", "Rayban" e bermuda xadrez, com cabelo black power. Essa tendência "alternete" me dá nos nervos, porque no fim, olha todo mundo igual outra vez! E as franjas? Aquelas que vêm com o partido do lado da orelha, assimétricas e caindo por cima de um dos olhos [!]. E por falar em olhos, eles devem estar adredemente pintados pra lhe deixar com cara de emo.

Se você se reconhece nos perfis acima, olha para o lado e enxerga a maioria dos amigos agindo da mesma maneira [só mudando a cor do "All star"], acho que está mais do que na hora de se questionar se seu comportamento bovino é seu mesmo ou se você copiou do boi da frente, que está prestes a se jogar no precipício da perda da identidade. Se você mudasse, o que falariam as vacas? Se as vacas mudassem, o que você "mugiria"?


Olhando, por exemplo, a forma como a qual certo grupo escreve na internet, fico a me perguntar de onde vem a lógica de se escrever palavras intercalando maiúsculas e minúsculas - quando não dobram, triplicam, quadruplicam as vogais. Um começa e vêm outros escrevendo igual. Vira um dialeto. Talvez não, seria necessária maior elaboração e uso de raciocínio cabível para ir tão longe. Eu ainda me questiono: "quando - e se - desligam o computador, essas criaturas sentem dificuldade de escrever em português?", acham vocês que elas escrevem normal novamente?


"Seja você, mesmo que seja estranho, bizarro". Não, não seja, pelo amor de Deus! Antes de pensar em ser você, pergunte-se se, de fato, não está sendo os outros tantos que se vestem, falam, comem, fumam, bebem, brigam, xingam, escrevem, estudam [?] iguaiszinhos. Evite virar porcentagem, grupo, estatística; é que eu soube que o diabo divulgou uma nota dizendo ser grande a quantidade de gente no mundo e ele apresentou uma fórmula interessante para cooptar moradores pro inferno: vai puxar todo mundo igual, pegando um só. Já que estão amarrados [não em nome de Jesus] numa corda, irão pro caldeirão uns cem de uma vez só. Claro que eu achei que o capeta aliviou no número, mas a lógica dele é eficaz: pega um, pega geral. Ele afirmou também que aproveitou o mando popular: "vai pro diabo que te carregue" e acrescentou só o termo "no atacado" para implementar o slogan. É que não existe mais "você", agora "tudo" substitui este pronome.


P.s.: O cão até fez um trocadilho. Assinou a nota assim: "(D)emo".

quarta-feira, 6 de maio de 2009

MAS, ONDE SE CHEGA ASSIM?


Tenho medo do exagero. Olha que alguém como eu não deveria estar afirmando isso; sou o ser mais balançoso que conheço: gesticulo demais, rio com vontaaaaade, me sacudo quando estou nervosa... não deveria estar tramando contra o exagero, mas tramo. Sou contra o exagero utópico! É sobre utopias que quero falar. Não as utopias que podem parir verdades, realidades, concretudes. Eu tenho medo das utopias rasgadas, plantadas num infinito futuro, distantes de toda palma de mão, mais longe que o horizonte, inalcançável até pra um aceno. São estas que me fazem tremer, pois estas não constroem e destroem o que está posto. Para depois desvendar em seu seio uma grande letargia em trabalhar pela pequena mudança; estando as pequenas mais próximas e menos evidentes, nestas tropeçamos mais.

Utopia demais não enche barriga, não alimenta pobres carentes, não paga conta de luz, nem limpa um salão com cadeiras. Utopia ao extremo, levada a ferro e fogo, combate o que está em voga e não propõe nova receita de bolo. Utopia ao quadrado não resolve emergência! Essa coisa de ensinar a pescar para quem não tem condições de segurar a vara de pesca é de uma ingenuidade quase pueril! Vamos resolver a pobreza no Brasil! Vamos inventar um manual da sociedade brasileira, uma sociedade desigual, vamos? Sim. Quem começa? [silêncio] Um passo a frente quem doaria todo seu lucro para uma instituição de caridade. [silêncio] Não é para doar tudo não, gente, é só o lucro. [grilos cricrizando] Quem aqui pegaria em seu guarda-roupa tudo aquilo que não usa há mais de 6 meses e doaria? [barulho de salto alto em marcha rápida] Quem é contra a medidas emergenciais para quem está passando fome? [Eu, eu, eu!!! TODO MUNDO GRITANDO]. Ahhhhhh tá... então tá!

Ninguém faz nada, só faz sonhar; não muda nada, só faz emudecer; não combate em si mesmo o consumismo exacerbado que alimenta o lucro, que é gerado na sociedade capitalista, onde tem trabalhador explorado, não é? Na hora de utopizar formas diversas para manter uma casa dentro de uma sociedade capitalista é uma delícia. Mas se a casa fecha, vai se fazer utopia na esquina da rua! Pois eu que estou indo contra o exagero da utopia, não sou contra o sonho, o plano em si, mas na hora da fome extrema eu não como dinheiro, eu como comida [então não me mande trabalhar quando estou a ponto de desmaiar, não me mande comprar com o dinheiro que me joga na lata vazia, porque eu não consigo levantar]! Na hora que a companhia de luz corta minha energia elétrica, porque eu não tenho dinheiro nenhum para pagar a conta, eu não irei para os livros de Marx para achar uma solução; tenho que estudar Marx quando eu consigo contribuir diariamente para a desconstrução do mal geral e palpável em minha sociedade, quando eu saio pedindo de um em um moedinhas de R$ 0,05 para comprar, pelo menos, uma vassoura que limpe o lugar coletivo que frequento. Se é para revolucionar, discordar, utopizar, façamos isso nos próximos segundos, em gotas de atitude! Sou contra medidas que firam a ética, não estou defendendo, por exemplo, que se roube para matar a fome; mas falando que se você quer matar a fome de alguém, antes de lhe fazer um discurso lindo sobre o trabalho honesto de se ganhar alguns trocados em troca de carregar sacolas de supermercado, veja se o faminto não está a ponto de morrer sem ouvir o seu conselho!

Desculpas, mas o medo do exagero da utopia tomou em mim a proporção de lamento. Tendo muito a dizer, me calo. Não posso mudar a mente dos outros, só posso pedir minhas moedinhas aqui e ali para comprar vassouras. Um dia, se ainda houver um lugar para limpar até lá, eu limpo todo o salão.

{Sâmia}

segunda-feira, 4 de maio de 2009

SENTIDO?


Um texto que começa sem pretensão de ter sentido. Talvez para falar de amor, talvez para falar de mim, talvez para falar dos dois.

Meu coração que está estranhamente calmo. E minha alma que caminha suave. Um sensação de riso a qualquer momento. Durmo tranquila, acordo feliz. A consciência limpinha. Queria fazer poesia, mas não tenho a veia do calibre da de Joanna. Queria fazer uma música, mas eu não nasci como Dai. Eu saí assim com este misto de Gentileza e qualquer escritor; aquele que escreve profeticamente, morre e não vê o mundo virar o que se sonha! O mundo vira o que eu quero em mim.

Enquanto estou escrevendo estou ouvindo um CD de uma cantora internacional, que não quero dizer o nome e que me marcou numa época punk da vida, me sacudo na cadeira com rodinhas. Ouço-a, agora, feliz. Talvez por que eu tenha me dado conta da sutileza da vida, da fragilidade de se viver, é que eu esteja feliz assim: há mais além! Todas as coisas são voláteis! As pessoas não deveriam, mas muitas são volúveis. Também estou feliz por saber que não estou nesta categoria de gente.

Meu celular tocou mais cedo e não era ninguém! Eu não retornei a ligação porque estas coisas não me incomodam mais. Penso que minha curiosidade só me faria gastar dinheiro, deixo isso para quem me ligou.

O dia está chuvoso e eu fico muito triste em dias assim, quando tudo se acinzenta. Mas hoje foi muito diferente. Assisti desenhos animados com grandes pessoas, comi pipoca e brigadeiro; mesmo chovendo, mesmo que eu tenha tremido debaixo da sombrinha, mesmo que minha calça tenha molhado na barra e as calçadas estejam sujas de cocô de cachorro eu tenho estado feliz.

Estou grávida de sonhos e planos! E respirando um amor... a vida!

sábado, 2 de maio de 2009

POR ELA



















Minha filha tirou esta foto. Sentou na cama e clicou. Ela me percebe de um jeito dela. Sempre me diz que eu tenho um cheiro de mãe, que tenho colo de mãe e que sou linda. Se ela não existisse, haveria em mim partes sem completar! Jorge Vercilo sintetiza:

"Ela une todas as coisas
como eu poderia explicar
um doce mistério de rio
com a transparência de um mar ?

Ela une todas as coisas
quantos elementos vão lá ...
sentimento fundo de água
com toda leveza do ar

Ela está em todas as coisas
até no vazio que me dá
quando vejo a tarde cair
e ela não está

Talvez ela saiba de cor
tudo que eu preciso sentir
Pedra preciosa de olhar !
Ela só precisa existir
para me completar

Ela une o mar
com o meu olhar
Ela só precisa existir
pra me completar

Ela une as quatro estações
Une dois caminhos num só
Sempre que eu me vejo perdido
une amigos ao meu redor

Ela está em todas as coisas
até no vazio que me dá
quando vejo a tarde cair
e ela não está

Talvez ela saiba de cor
tudo que eu preciso sentir
Pedra preciosa de olhar !
Ela só precisa existir
para me completar

Ela une o mar
com o meu olhar
Ela só precisa existir
pra me completar

Une o meu viver
com o seu viver
Ela só precisa existir
para me completar"

Obrigada filha! Por tudo também!
Mamãe.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

INCERTO




Acordamos todos os dias e temos uma determinada rotina. É estranho pensar que nos movimentamos sempre dentro do incerto. Parace contraditório dizer isso, mas a única coisa que nos salva do incerto é esta pequena quadrilha que criamos e chamamos rotina. O resto é improviso!

O engraçado é notar que muitos pensam que sabem da própria vida, do que farão, o que comerão, o que gostam de vestir, o carro que vão comprar, o próximo namorado, a namorada que virá... de nada podemos falar sob um futuro do presente, um futuro do pretérido, talvez; mas se todo ato, toda cena da vida fosse somente dependente de nós e que fôssemos sempre o ator principal, o diretor, o roteirista, aí sim daria pra bater no peito e dizer: a vida é minha, eu faço o que quero dela! Amigos, como se dirige o que não está posto? Como se conduz a cena que não está pronta? A vida é sua, mas você não faz sempre o que quer dela. Por enquanto você só fará o que pode! Esta idéia de liberdade extrema é uma bela mentira contada e desfeita pelas instituições seculares, que quando caem, põem outras em seus lugares. A família está desmoronando? Não se preocupem, inventarão outras coisas para fazer você se sentir culpado e não tomar atitudes que adoraria tomar, mas no fundo sabe que não deve.

Não é tão ruim assim, é? Gostamos tanto de viver em sociedade, em família, entre pares que não abriríamos mão desta liberdade vigiada, moldada pela quina da liberdade alheia, feita sob medida para que não façamos muito além do combinado. É a troca da vida, esta solidariedade brutal que nos faz mudar de planos por um filho, por um irmão, por alguém que nos deixa amanhã, caso morra. Deus é mais, melhor nem falar isso; mas não falar, meus amigos, não muda nada! Isso não poderemos
[jamais] mudar.

Este conflito nonsense da vida é a própria vida, afinal! Quem pode me apontar um ser que se apartou deste todo e resolveu a equação incerta do amanhã? Nem Jesus! Enquanto esteve aqui tem, pelo menos, o relato de um fato em sua vida em que teve que fazer o que não queria porque sua mãe pediu, ele respondeu:
"mulher, ainda não é a minha hora", mas foi lá e fez água virar vinho!

Só podemos guiar uma passada por vez, sem garantir que haverá um próximo passo depois, ao menos nesta vida de carne e osso. Pelo menos é bom pensar que o amanhã é nosso, para fazermos dele um ontem que preste, certinho mesmo só o passado que já está definido, não pode ser refeito, sonhado, apagado, rabiscado, rascunhado. O carro que você vai comprar e o casamento marcado para o ano que vem; o curso da faculdade que você ainda vai terminar em quatro anos e tudo mais a longo prazo pode ficar só no projeto. Vale a pena projetar, pois quatro anos passam rápido e quando você chegar lá, pode ser que não tenha nada de tão bom a fazer, afinal há quatro anos atrás você estava com medo de morrer e não pensou em nada. Também se o amanhã não chegar como você imaginava, resolva este impasse se apegando às pequenas alegrias do minuto, às pequenas responsabilidades do segundo, as coisas que você pode com quase toda a certeza fazer daqui a 5 minutos, porque a vida é construída assim: gota a gota. Projete-se, mas não acredite por isso que é dono do tempo, do mundo, da vida toda, pois você não é, e é mais frágil do que costuma aparentar.

Valorize o amor sem máscaras, sem condições econômicas, sem as jóias caras, sem o jantar no restaurante bacana, é bem verdade que o amor prescinde de tudo isso. Se você esperar tudo isso para amar é porque você não sabe o que espera. Valorize a amizade sem trocas, seja você o doador universal de sorrisos e espere que têm 6 bilhões de chances de encontrar alguém que pense o mesmo que você. Valorize o cobertor quente da noite passada, pois teve gente que não acordou hoje porque morreu de frio enquanto você dormia e você fica aí chateado porque tomaram a última gota de café quente da cafeteira. Valorize seus pais, irmãos e filhos eles te amam
[e deveriam], mas não cobram nada por isso [isso é uma piada, mas com razão]. Valorize seu corpo, não porque tem gente que não o tem perfeito, estas pessoas também devem valorizar os seus corpos, tê-los defeituosos não é desculpa para jogá-los fora; o corpo é a oportunidade da vida e embora você não saiba o que está fazendo aqui neste exato momento, há sempre algo de bom que você pode fazer e que dê sentido a isso tudo. Valorize o agora, porque amanhã é presente que voce não sabe se vai ganhar!

{Sâmia}

terça-feira, 14 de abril de 2009

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA - IMPUNIDADE





Falar de impunidade assim parece que mais uma vez alguém vai bradar contra algum escândalo público que ficou "na pizza". Quando ouvimos ou lemos esta palavra já a associamos à política no Brasil, ou à falta de Justiça em algum caso que se tornou público, mas não é o caso deste texto.

Estas palavras são de uma mãe, como tantas outras mães, que sentem muito quando seus filhos são destratados. No meu caso foi na escola de minha filha. No meu caso a sutileza dos acontecimentos garante esta sensação de não se poder fazer muito, ou se fazer nada além de, mesmo estando certa, ter que se retirar.

Minha filha já passou por 4 escolas, pois eu morava em outra cidade e quando me mudei para Salvador a coloquei numa escola bem próxima de casa. Nesta escola ela teve uma ótima recepção e ótimas professoras. Amorosas, simpáticas, educadas, comprometidas com a docência, enfim, competentes. Mudei-me mais uma vez de bairro e a mudei de escola. Foi um choque! Uma escola mais cara, mais tradicional, com uns 40 anos de "mercado" [pois o ensino virou isso mesmo: MERCADORIA], turmas menores, crianças que se conheciam desde pequenas, uma professora fechada, de voz levemente grossa, pouco doce [eu diria de jeito azedo], irônica, meio tosca. Mas isso é o que eu acho hoje, no dia em que a vi pela primeira vez eu não emiti juízo de valor porque não é de meu feitio recharçar ninguém pela imagem. Até o dia em que minha filha levou para escola a tarefa de casa que eram figuras geométricas montadas e coladas; uma delas, a mais complicada, ela me pediu para colar. Somente uma delas. Eu colei e ela olhando. Na escola ela disse: "tia - não sei por que diabos se chamar professora de tia - eu fiz a tarefa; estas daqui eu fiz sozinha, mas esta minha mãe colou", a professora olha pra ela na frente de todos os colegas e diz: "ainda tem a cara de pau de dizer que foi a mãe que fez, vou colocar uma fardinha em sua mãe e botar ela sentada na sala junto com você". Imaginam como ela se santiu? Como uma pessoa se sente na frente de um grupo que se conhece há trocentos anos e é exposta desta maneira. Como se sente quem recebe uma ironia destas e nada pode fazer.

Eu fui lá conversar com ela, ela negou. Falei que minha filha tinha se oferecido para vir comigo no dia seguinte confirmar na frente dela. Ela deve ter achado que era blefe, mas Lili foi. E olhando nos olhos da professora contou como tudo aconteceu, sem pestanejar. Ela tinha oito anos. No dia seguinte procurei a diretora que me pediu calma, compreensão, uma vez que a professora passava por um momento muito delicado. Um parente tinha morrido e deixado uma filha e ela era a única a sustentar a criança e bla bla bla. Minha raiva é que eu achei de compreender! Eu avisei somente que não iria admitir se repetisse esta situação. Com certeza, hoje eu sei, que ela deve ter feito cara de poucos amigos para minha filha até o final do ano. Mas a lição ficou: não fale a verdade, porque você será punida!

Semana passada, recebo eu um aviso na agenda de minha filha, manuscrito em caneta verde, dizendo que ela tinha mentido. Só para situá-los: esta "professora" da 2ª série é a mesma da 4ª série. Lili fez uma tarefa errada, que ela mesma achou mal-feita, na hora de entregar à professora ela mentiu dizendo que não tinha feito, rasgou a folha, embolou e jogou no lixo. A professora pegou o papel e guardou para me mostrar, então escreveu na agenda que a mentira não é a melhor forma de resolver os problemas. Concordo! Mas esta demagogia dela me matou! Resolvi ir lá, mas não sem antes questionar o motivo à minha filha dela ter mentido. Ela me disse que estava com medo da professora. O quê??? Medo, por que? "Porque ela me constrange na frente dos outros. Grita quando a gente erra e arranca a folha do caderno". Eu fervilhei de raiva. Como assim??? Fui na escola falar com ela, já que ela tinha me mandado um bilhete, não? Questionei, entretanto para que ela arrancava a folha do caderno das crianças se elas mesmas podiam fazer isso, mas ela não soube me responder. Questionei se era para minha filha se sentir encorajada a falar a verdade ou a mentira, pois o comportamento dela era dúbio demais para ser entendido claramente; ela não soube me responder. Questionei se minha filha a desreipeitava, se a enfrentava, respondia; ela também ficou em silêncio. Por mais que não se justifique, uma criança assim irrita profundamente até um santo, mas Lili não é assim. E claro que para a professora suas próprias atitudes não passam de uma brincadeira e que a família de Lili tem uma implicância com ela.

Eu também não mencionei que Lili conversa durante o sono. Senta-se na cama e fala das coisas do dia a dia. sabem qual é o assunto constante dos pesadelos dela? Adivinhem...! A escola, a professora "x", sendo nomeada em alto e bom som; os assuntos de Matemática que ela não consegue resolver, e as aulas de natação que até o bater de pernas ela repete! Quando eu perguntei o motivo dela ter mentido sobre a tarefa, ela me contou tudo isso chorando, disse que ficava com vergonha na sala.

A professora também me disse que para "evitar confusão" nem mais briga com minha filha, ela relata tudo à diretora quando termina a aula e a diretora é quem conversa com ela. Avaliem que tipo de comportamento é este. Também me digam o porquê de eu ter estado duas vezes na escola e não ter conseguido falar com a diretora. Digam-me também se é possível eu ter questionado minha filha a história muitas vezes ela ainda não ter caído em contradição e ainda assim ela estar mentido descaradamente, inclusive durante a noite dormindo. É possível um ambiente de aprendizado como este permitir o erro e a liberdade para se dizer: "eu não entendi"? Digam-me o que pode ser feito, se VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA não deixa marcas visíveis. Não é violência? Vejam um dos conceitos:

"Violência escolar é uma das modalidades da violência institucional que Tomkiewicz (1997, p.310) define como “toda e qualquer ação cometida dentro de uma instituição, ou toda ausência de ação que cause à criança um sofrimento físico ou psicológico inútil e/ou bloqueie seu desenvolvimento posterior".

E ainda:

"Abramovay (2002), adverte que ao analisar as escolas, não basta focalizar atos criminosos extremos, como vandalismos, roubos, brigas entre alunos, desrespeito a professores, depredações, extorsão, mas também “as violências simbólicas, verbais, morais, psicológicas” dos funcionários contra os alunos."

Tirar minha filha desta escola... matriculei-a, livros comprados, fardamento comprado, material comprado e tudo isso teve um custo nada baixo. Quem arca com isso? Procurei um advogado e ele me disse: "o difícil é conseguir provar". Aí vocês podem pensar: "procure outras crianças, outras mães". E eu lhes respondo que se estas atitudes dela fossem generalizadas, ela não mais estaria na escola. Como também lhes garanto que qualquer tipo de constrangimento praticado por um adulto a uma criança nem empre é sentido pelas outras ou as crianças se sentem desencorajadas a falar. Conversei com uma coleguinha de minha filha que confirmou os gritos e as folhas rasgadas pela professora, mas disse que a "tia" era "legal".

Não sei como resolver tudo isso sem causar mais danos a minha filha. Estou me sentindo refém e tendo que provar, sendo obrigada a provar que somos vítimas. Enquanto isso, eu lhes peço que prestem bastante atenção aos filhos, sobrinhos e crianças que vocês conhecem. Se ouvirem deles que "estou com medo da professora" como eu ouvi de minha filha não achem que é manha de criança que não quer ir para escola.

Não tenho mais o que dizer. Deixo-os com o Estatuto da Criança e do Adolescente:

Art. 53 - ll - A criança e o adolescente têm o direito de
serem respeitados por seus educadores.

Art. 232 - É crime "submeter criança ou adolescente
sob sua autoridade a vexame ou
constrangimento"

(Detenção de seis meses a dois anos).


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domingo, 12 de abril de 2009

AMOR DÓI. DÓI?




E é um machucado esquisito, viu? Sabe aquela coceirinha que a gente coça até ferir e tirar a pelinha? Ela fere, mas continua coçando, né? Pois isso é amor pra mim. Aquela coisa que é gostosa, mas dói um pouquinho.

No nosso mundo é desta forma que amamos: com ardidinho na pele. Por que? Eu acho que é por causa de velha amiga nossa, a transitoriedade! Nossa condição é passageira, sabemos todos disto! A morte? Está conosco desde que nascemos, isso é fato! E está com quem amamos também! Aí é que está a droga toda, é aí que mora o ardido! Aqui neste mundo nada pode só coçar, tem que arder também, ou seja, tem que doer, droga!

Tudo passa... até tudo... o que não passa aqui neste mundo, meu Deus? Só o que não é deste mundo: as almas! As coisas imortais responsáveis pela coceira gostosa não morrem nunca. Amor morre? Jamais! Mas aqui só com ardido. É o combinado - se quer nascer e amar, tem que sofrer! Pelo menos sofrer a perda aparente. Ou a perda da aparência, pois no fundo é a presença que perdemos, a presença do riso, da voz, do tato... jamais do ser.

Mas a morte não é a única coisa que leva quem amamos, às vezes eles mudam de opinião e morrem para nossa vida e entramos num luto. Uma vez, quando terminei com alguém que eu achava que amava [amava nada!] eu sofri muito [a gente sofre por tudo, até pelo que é ilusão ou pseudo-verdade]; daí fui pra internet e catei uns textos de auto-ajuda. Aquela porqueira de buraco que eu sentia no meio da droga do peito tinha que passar. Isso foi em 2007. Achei um monte no google e imprimi pra ler. Fiz questão de imprimir para fazer daquilo um mantra se fosse preciso; eu tinha um buraco no meio do peito e aquilo precisava de curativo, de solução, de calmante! Lá no texto dizia que são necessários 60 dias para esquecer uma pessoa. Quê? Rasguei a preimeira folha! Tá de brincadeira comigo, né? 60 dias??? Sim... 60 dias, minha cara. Mas não é esquecer, isso a gente consegue com uma coisa chamada amnésia e nos desenhos animados e filmes de comédia conseguimos isso com porrada na cabeça. Mas na vida real [a com coceira e ardido] não é assim! Aqui os 60 dias são para esquecermos a sensação daquela pessoa na nossa vida! Ahhhhhhhh bom... agora melhorou! Mas só 60 dias? É uma média, tá? Sei... E depois disto? Bem, depois disto você começa a caminhar torto, porque parte de sua rotina muda bruscamente, mas depois o instinto de sobrevivência [às vezes o instinto pueril, imbecil e falho de vingança mesmo "vou mostrar àquele desgraçado que ele não me matou!"] nos faz agir e pensar em outras coisas.

Sabe o que é mais louco? Eu ir desesperada caçar ajuda no Google, olha que ridículo! Mas ajudou! Eu vi que em 60 dias as coisas em mim não chamavam mais pela [droga] do ex-namorado, que minhas conversas não mais aparecia ele no meio, que eu sorria torto, mas sorria... enfim a vida tinha arrastado para longe de mim aquela tralha toda de lembranças recentes e eu tinha que apagar as outras, as melhores! Para isso seria necessário mais um tempo e este tempo veio e tudo mudou para melhor. Conheci outras gentes, apaixonei-me por outros homens, desapaixonei-me por todos eles [e eles de mim rs], li mais mil livros, cantei mais mil músicas, dei mais um milhão de risos e só eu fiquei, não fiquei só, claro! Falo assim: no final só fica mesmo a gente, aquela alma que não é deste mundo, que não pertence ao ardido da vida, que está aqui de passagem, que está aprendendo com as quedas e tropeços...

A gente aprende depois de tanto transitoriar [inventei o verbo] a permanecer! A gente aprende que há um modus operandi da dor, da perda, da porcaria do ardido e que eles passam, como tudo o que é deste mundo. À alma só pertence o amor, o único que fica, para sempre! Um dia, quem sabe? Sem ardidinho, né? Caminhemos, vamos ver onde isso vai dar!


Beijos, sempre!