quarta-feira, 27 de outubro de 2010

AREIA

Rolou de onde estava brilhante e alvissareira a pequena pedrinha de areia
Deixou-se arrastar pelo vento que enebria, pela mãozinha que cria
Castelos, bolos, pontes, rostos, rios e sereias
Inocente se permitiu moldar, escondida que estava das águas do mar
Foi revolvido o chão, cavado pelo plástico do brinquedo
E a areinha sem medo se deixou lavar
Colocada lá em cima na ponta do castelo
O sol lhe encontrava e seu brilho feliz se via
Porque nem nos seus mais belos dias
Chegou a pensar que do escuro de onde vivia
Podia outra vez avistar seu lar
Nascida do desgaste das rochas, polida no encontro das pedras
Ela que de cristal fino se fizera
Fora expulsa de seu leito por Hera
Megera ciumenta do fundo do mar.
Agora no topo ela estava e já não via a hora
De ser engolida pelos braços fortes da água
Que pode a tudo arrasar.
E não foi sem espanto e riso
Que vendo a espuma branca destruir o castelo
Feito por mãos de mover impreciso
Que a areia de alma rosa e cristal liso
Deixou-se beijar pela boca fria do mar
A criança chorava e ela partia
Sendo levada ao lugar de seu berço.
Criança mimada não chore, eu sou só areia
E tudo que te ofereço
Qualquer outro grão um dia pode te dar.

Um comentário:

Nєfєя disse...

Que lindo, Mami!
Poético, doce, feliiiiiz...

;D