Mostrando postagens com marcador Saudade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Saudade. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 6 de março de 2013

"EDMORTE"



Então você acorda e a morte lhe dá “bom dia” nos telejornais. Como se ela fosse uma governanta chata. E é. A inexorável está todos os dias no mesmo lugar: nos corpos perecíveis. Ela comanda a cadeia do impermanente, do descontrole, do “sem chances de estorno”. Ela não se atrasa, não parcela no cartão. Para muitos é “morreu, acabou”, para outros – como eu – “morreu e recomeçou”; e para todos é A Certeza.

No controle remoto da vida, ela é o outro botão emperrado, que não funciona, que não acionamos a nossa vontade. Nem o “start”, nem o “stop” nos dão este prazer. E ficamos desesperados, impactados diante da imagem desta que não negocia com ninguém. E por mais que tentemos soprar a fogueira que mantém um coração batendo, por mais tentemos reacender a brasa prestes a sumir nas cinzas, a morte trabalha como a gravidade – não se levita por muito tempo neste planeta.

Suas táticas e seus procedimentos operacionais vão desde uma doença “braba” a um engasgue com farinha e, para ela, tudo é uma desculpa para se fazer cumprir o cronograma do dia. Não se eufemiza sua presença – ainda que tentem –, não há metáfora que a supere, porque a dita cuja é um tiro de fuzil com mira a laser. Dizem os que a estudam que ela não dói; morrer não dói para quem morre, morrer dói para quem vive. Morrer dói para quem sobrevive, para quem também a espera (não como quem a deseje). Ela deixa um guizo sinistro na vida dos que aguardam sua vez na fila e quando soa a própria hora o samurai de capuz preto cumpre seu papel e ele quase nada exige: para morrer, basta estar vivo.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

CARTA PARA MINHA TIA

Oi Tia Sônia,

Como estão as coisas aí? Saudades imensas! Você e suas maneiras fazem falta, sabia? Sabia, né? Você deve ter visto o vídeo que Carine fez para você e que também fez todo mundo chorar. Coisas de Carine – ela junta os sentimentos e depois larga uma bomba. Depois desse vídeo eu resolvi te escrever uma carta. Sempre penso muito em você, sempre lembro o jeito que você me chama [Samoquita] e ainda sinto ciúmes porque você prefere Dai. Nem adianta negar, viu tia Sônia?! Todo mundo prefere Dai, mas eu sei que as pessoas me amam do jeito que sou e com você não é diferente: seu amor por mim e meus irmãos sempre foi inegável e sobreviveu a anos de distância física... continua sobrevivendo, eu sei.
Eu queria ter dito mais vezes que te amo. Até chego a lembrar dos murritos, besliquitos e mordidas com certo saudosismo. Isso me faz pensar que certas dores da vida são muito pequenas perto da dor de não poder abraçar a quem se ama. Mas o que estou dizendo? A gente se abraça muitas vezes!!!  Mesmo depois de sua viagem, eu sei que você volta e abraça a cada um de nós. Briga com uns, bate palmas para outros, puxa um pela orelha, dá conselhos a outros, segue cuidando dos que ama. E a gente vai se virando por aqui até chegar o Natal em que aquela sua “arvorona” será armada na sala de sua nova casa e estaremos todos lá.
Será que você ainda briga com Sheik e Ringo quando eles se pegam na briga? Vixe, tia Sônia, deve ter uma galera de cachorro pra você cuidar, né? Paloma, Dalila, Sheik, Ringo e outros que nem sei o nome. Tem Lolita e Dhust que também devem estar em sua casa. Eu falo como se a única coisa que você faz aí é cuidar de cachorro. Duvido. E as rosas brancas? E as outras flores? E os demais amores, né? Existe muita novidade que a gente aqui nem sonha. Ou sonha? Rs
Eu guardo os vestidos que você me deu, as blusas, as coisas todas como uma bobona agarrada a evidências materiais da sua lembrança. Sei que tudo isso é dispensável, mas você sabe que cada uma destas coisas é a materialidade de meu amor.
Eu não gostei que sua viagem foi perto de meu aniversário, mas acredito que a passagem estava marcada por gente bem maior que a gente e não é justo questionar; hoje eu sei que você é feliz e os hamsters nem devem mais existir, né? Essa é uma lembrança que me faz gargalhar sempre! E o bolo de algodão com álcool: “nãaaaaaaaaaoooo Sâmia!!! Isso tudo, minha filha?”. Sem contar que quando eu ia dormir nas “horas mortas” era motivo de falação eterna. Hoje vou dormir mais cedo para te encontrar.
Vou parar por aqui. Não sei como o Correio te entregará esta carta, mas tenho certeza de que ela lhe chegará nas mãos. Minha lembrança não é só alimentada de saudades – é lavada de certezas. Te amo e sempre te amarei e muito obrigada por ter sempre sido a tia-mãe de Priminho, Samoquita e [ôooo]Dai.


Sâmia.

P.s.: Eis o vídeo:

terça-feira, 10 de maio de 2011

AMAR É MAR - É MARÉ

Porto de medo. Aporta na alma uma falta de segurança: saudade, saudade, saudade - venta. Meu peito se encolhe, a alma que some, a mão que me deixa, sorriso se esvai: para onde vou eu, para onde vou eu, para onde vou eu - me desfaço em eco. Acerto um suspiro, esqueço compromisso, adoeço, o sangue me some: nasceria de novo e esqueceria meu nome, se possível fosse - a sorte tem amnésia de mim?

Mamãe - quem era você? Mamãe - que sou eu? Mas, mãe... o que foi que eu fiz? Mais mãe para aquela que fiz. Mãe, me perdi de você quando ainda criança e vejo que mais crianças se perdem quando mães não se acham - quero força pra equilibrar essa equação. Não tem matemática que dê jeito no resto da soma que ficou em minha alma - mão de mãe sustenta e estraga.

Pai, sei que não me abandona e por isso caminho, sem aquele destino que você queria, sem aquele gostinho de bem-sucedida filha, sem sandálias de guerra, sem saber se virar com tantos papéis nesse escritório da Vida.

Barcos-pensamentos vagam frios pelas águas da incerteza e eu tremo em pensar que levo vida comigo - vida que é barco, que se apressa ligeira em fugir de mim, acorrentada em minha proteção desprotegida. E sozinha vai a menina gritando por mamãe, gritando a mãe, gritada por dentro e ouvindo o silêncio bravio do mar que diz a todo instante: navegar, navegar, navegar...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

RIOS.

Rios paralelos que já nasceram como se tivessem bebido, antes, um pouco do mar. Gotejam em silêncio sulcando um caminho tímido. Levam tantas lembranças, lavam tantas dores e o medo que mil amores conseguiram plantar. Mas os rios não fazem milagres e quando secam é porque não há mais água que os alimente, não por falta de saudades que devam ser lavadas. Quando secam, ainda resta o vento assoviando entre seus leitos. E depois eles brotam novamente, são rios intermitentes numa vida que é perene de frustrações, alegrias, quedas e levantes - como a vida de tudo o que é vivo.
E se eles correm agora, mansos, finos, poderosos creiam que há motivos silenciosos no fundo da alma que os alimenta. Uma alma de magma em seu fundo, tantas vezes revoltosa, precisa de rios para esfriar seus ânimos, soprar suas feridas e lhe permitir a caminhada solitária.
Não é possível estancá-los, nem consolar a alma de magma, só se pode deixar que corram e se encontrem com seu destino. E depois de molhar a face, elas - que são rios - caem no vazio e salgam a saudade. Lágrimas.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

EXPLICANDO

Como resolvi te amar? Não é um caminho fácil de descrever, portanto não o farei. Mas posso fazer assim: posso te dizer como te amarei. Amarei de uma maneira que nunca amei e como ninguém nunca deitou em meu coração.

Esta noite sonhei com você e a sensação é de que lhe entregava todo meu calor - mas eu ainda permanecia quente. Eu não morria de amar, porque amor nem mata. Eu tinha resolvido amar sem cuidados, sem movimentos pensados e palavras escolhidas. Então te amei. Acordei te amando. Morrerei deste jeito.

Não sentia frio e desde que te amo é mesmo assim - sem ventos fortes, sem mares revoltos, sem tremores de terra. Eu elegi você pra ser pra sempre e todos os fenômenos se dobraram a isso. Até a inveja e o medo. Até tudo de mais instável neste mundo, em mim e em você ganha calmaria.

Não são promessas: é verdade. Embora sinta vontade de subir escadarias, rezar novenas, acender velas e dizer amém; faria tudo isso para passar o tempo e estar contigo novamente. Cada vez que vejo você é como se todos os sentidos fossem perdidos junto com os meus. E isso não é poesia: é saudade. E os ritos diários ganham ainda mais automatismo quando você liga e diz: "tô pensando em passar aí pra te ver, vai fazer alguma coisa mais tarde?". Sinto vontade de responder: morrer de saudade quando você for embora. É que o tempo nesse momento pára. Quando estou contigo ele dispara e depois se arrasta na lama como um soldado em treinamento.

O meu simples jeito de amar é só um coração que resolveu abrir as cortinas e dizer pela primeira vez na vida: entre e fique à vontade. Mas fica pra sempre.

Entendeu?

sábado, 2 de outubro de 2010

CONTANDO SEGREDOS

Saudades de você e do bem que me quer. Como pode, meu Deus, amar-se tanto uma mulher? Elas são esquisitas, choronas, dengosas e frágeis [nem todas], mas deve ser porque são cheirosas, macias, risonhas e inteligentes. Vai saber, né? Por isso é que sinto saudade de você, porque você consegue me amar do jeito que sou: mulher. Às vezes - menina. Com esta memória de passarinho, que esquece de datas e se lembra de cantar. 
Estou sentindo seu cheiro, sabia? Parece mágica. Estou, realmente, sentido o seu perfume, como se a saudade conseguisse transportar máteria. Na verdade, eu sempre soube que saudade transporta muita coisa, inclusive, pedaços de meu coração. Ah! Mulheres são exageradas. Mas você ama, né?
Eu tô triste e feliz e porque sou mulher não consigo explicar o porquê de nada disso. Nem adianta tentar colocar tudinho numa prateleira e racionalmente discernir motivos para este misto de sentidos; você sabe que eu derrubo tudo, que confundo sua arrumação, que estrago seu tapete fazendo minhas colagens e você só sorri. E num sei pra quê lembrei-me de seu sorriso. Agora é que perco meu pinguinho de juízo e sem juízo assim, deste jeitinho, é que sinto sua maior vontade de me proteger. Sei que pensa assim: "vou abraçá-la até que ache o tino", daí eu não acho mesmo pra ficar agarrada em você.
Mas quem te protege sou eu; quando acha que já sabe das respostas eu te mostro meu senso de orientação e o mapa de cabeça para baixo. Das coisas que não quis ver, das coisas que nem quis saber e das outras que te sonegaram - eu sabia. E é por isso que meu colo é infinito, para que mais ninguém te encontre.
Vou lhe fazer um pedido e quero que anote aí [como se fosse preciso pedir]: não vamos brincar de segredos, porque me despi dos mistérios assim que me vi em seus olhos. Depois disso eu também me pergunto: como pode, meu Deus, amar como uma mulher?





sexta-feira, 1 de outubro de 2010

AQUELE ABRAÇO!

Abraço é engraçado. Lembro sempre mais dos abraços que dos beijos. Beijo é pequeno e abraço é gigante. É corpo todo, é um mundo inteiro que se abre e se encontra. Lembrança... saudade... cabeça no ombro, pé no pé, os braços selados por detrás dos corpos e respiração de "te achei". Sem lá fora, sem mundo todo, sem mais quem passe na porta, sem mãe, sem pai, sem outros alguéns - só aquele abraço. E eu te amo ao pé do ouvido.
Estou sentindo a falta do abraço e parece que vou sentir sempre esta falta, ainda que o tenha todos os dias [um dia]. Abraço mata e dá sede de mais abraço. Engraçado que sentindo sede e soltando água; vai entender a saudade!
Como é que alguém pode, meu Deus, viver tanto tempo sem abraçar? Não estou falando daquela coisa social de cumprimento vão. Não. Eu estou falando do enlace de alma e de um querer tão intenso que faz o coração correr a gargalhadas. A mão esfria, o sorriso fica nervoso e dançam os olhos [nos olhos]. Momento cri-cri-cri porque não se precisa das palavras e nem se sabe o que dizer e sabendo não há necessidade. Abraço rouba tudo: ar, segredos, medos, dúvidas, certezas.
E num dia destes receberei aquele abraço certeiro que transforma meio num inteiro, que transmuta rio em mar. E é aí que mora a graça do abraço: são dois corpos em direções opostas, mas almas que vão para o mesmo lugar. 

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O MUNDO É BOLA.


Ventam os destinos em pequenas porções de saudade. Buscam-se e não sabem. Nascentes diversas, corrimãos separados, brinquedos diferentes. Crescem achando que o mundo é uma reta, mas é bola. E sendo bola tudo se junta: destinos, corrimãos, brinquedos. E foi bem assim. Uma platéia, uma cantante, olhos brilharam, o ímã se fez.

O que se sabe, desde então, é que o mundo [sendo bola] deixou que as coisas se juntassem, fingindo que assim faziam a sós; mas não, até o mundo pede para que - futuramente - se haja mais brinquedos, destinos e corrimãos. Amém.


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

CONJUGANDO VOCÊ.

A porta se abriu, se abriu um sorriso, os braços se abriram e o coração.
Os olhos se fecharam, fecharam-se os braços, fechado o passado, o encontro - então.
O medo perdido, perdida a vergonha, perdidamente apaixonada, [das horas] perdi a noção.
Corri da tristeza, correu-se um calor, corri pro teu colo  - achei-me no amor.
Tocados os sinos, toucou-me a alma, tocada de calma, em ti eu toquei.
Senti arrepios, senti um desejo, sentidos e afagos - senti que amei.
Esqueci-me das coisas, esqueci-me em teu corpo, esqueci-me dos rostos antes do teu.
Matei a saudade, matando minha sede, matei-te de beijos, a solidão morreu .
Cantei o teu nome, cantou a aurora, cantado o riso, cantou-se a canção.
A porta fechada, os olhos abertos, os braços tocados, cantado o coração, esquecido o passado. A alma aberta, esquecidos os sinos, perdida em afagos, morta de vergonha, sentido o calor. Corri o teu corpo, perdi minha calma, achei os teus olhos, senti a paixão. Achei o teu colo, matei a tristeza, toquei o teu riso. E agora eu te digo, com todos os verbos, o que eu sinto é eterno e nem pode ser vão.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

SUSPIRAÇÃO.

Há suspiros inconfessáveis. São ventos que levam segredos e desafogam o coração. Há suspiros inaudíveis. São partes de melodias que só tocam a alma de quem sabe. Há suspiros que doem. São pedras que ferem a lembrança de quem ama. Escorregam por lágrimas caladas, entregam o pecador, aquele que sofre de amor, que pena na espera que alimenta a ansiedade. Suspiros sem doce algum.
Uma gota de lembrança suspensa no ar, mandando embora o sossego, deixando vacância no olhar que busca um emprego nalgum lugar - onde está coração? Sei não. Profunda inspiração, três vezes e rápida: lá se vai meu juízo. Expiração certeira: galopa de volta a realidade.
A alma que feita por Deus num momento como o meu, não é de outra coisa senão de suspiros. Sopros são para corações tranqüilos, sem o menor ímpeto. Minha alma foi suspirada e hoje me encontro aqui, viva de interrogações, morta de saudade. Suspiros vêm de almas que são bóias furadas, que deixam escapar o vento da dúvida, que flutuam no oceano do desânimo e do medo. Perdem de si um pouco mais com o vento, mas nada de gastar os tormentos que tentam sair por um fino buraco; é proporcional inversão: quanto mais se suspira, mais se está cheio do que se pôs pra fora.
Vai medo, vai embora! Desgruda de meu pensamento, vai junto com este sopro e leva uma carta pro mundo - este vento de 5 segundos é um vendaval de desejo. Não o quero assim. Prefiro abrir espaço para as brisas em que se transformam os suspiros que de mim fogem quando penso no dono dos meus ais; embalar as velas dos sonhos que partem do cais de saudade a não mais ter este desassossego ébrio. 
Suspiro é o ar que se move em direção marcada e busca com seus braços voláteis apagar o fogo da alma inteira - mas é vão.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

POR VOCÊ

Vi, mas não sabia que por você cantaria em alta voz o hino do Bahia; mas quem adivinharia? Era para ser assim, mas só você sentia. Não quis crer que o óbvio seria o certo, que o inexplicável estaria tão perto. Deve ser assim: luzes fortes cegam, coisas belas emudecem-nos, o simples nos confunde; estas coisas só se sabe com o coração aberto. E o meu enlouquecia...
Côncavo e convexo, opostos que se encaixam e mesmo que um chinês chato nos diga o contrário - fomos feitos um para o outro. Por você eu compro prateleiras, arrumo minhas idéias, meias, livros, sapatos, desculpas. Assereno meus ímpetos, adoço meus instintos, solto meus grilos. É por você que sorrio nas manhãs de chuva e molho fronhas de saudade. Tiro o batom, faço as unhas e depois esqueço tudo isso atrás da porta - I see you e a aparência pouco importa! [Mas por você me arrumo].
Por você eu sinto medo e segurança. Tesouros são presentes, não se deve perdê-los - não mais de uma vez. 
Desde você, faço lista de músicas, de nomes para meninos, acostumo-me com o frio, estudo inglês e acredito que minha casa é o mundo inteiro. Se me jogo, você me segura; se esqueço, você lembra; se espalho, você junta.
Por você e por mim é que tudo se fez assim: eterno.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

BICHO RUIM!

  • Mãe!
  • Huum?
  • Mãaaaae! Minha mãaaaaêeeee!
  • O que é, menina?
  • Tem um bicho no meio do meu peito esticando meu coração!
  • O que?!
  • É mãe... desde ontem eu sinto o bicho grudado aqui, ó!
  • Onde, menina?
  • Aqui mãe! Grudado, ó! Vê aí se tá sangrando...
  • Mas se vê cada uma... tô vendo nada não menina!
  • Afff, tu não sabe ver nada, né? Eu tô sentindo o buraco que o bicho tá fazendo desde ontem, tô sentindo um troço molhado no meu olho, quando eu respiro até incomoda e tu diz que num tem bicho nenhum? Eu quero é prova que não tem um bicho aí!
  • Ô menina... explica isso direito! Tu tá com um buraco no peito?
  • É...
  • O olho derramando alguma coisa quente?
  • É!
  • E quando tu respira incomoda? Sente até meio que doer?
  • É sim, mãe! É isso!
  • Ah... minha filha, é saudade!
  • Eu não disse que tinha um negócio aqui, não disse? buáaa.

sábado, 3 de julho de 2010

SAUD"ARDE".

Não, não sai! Não vai, não me deixa...!

Eu olho você partir e sinto que algo em mim explode

Como se mil fagulhas mandassem que eu te esqueça

E ver você indo é a própria morte.

Entenda, ainda guardo em mim a fragilidade

De quem não passa de mera humana

A saudade que em mim agora arde,

Não é o frágil prazer que somente engana.

É mais, é certeza que você me ama;

É um passo de leve, um laço no infinito,

É o abraço apertado que cala o grito;

Ao asno faminto - um tufo de grama.

Fica só mais 1000 anos comigo,

É o tempo que preciso para não ter saudade;

Tua força é o meu mais forte abrigo,

E eu sei que sou a tua melhor parte.

Acordo, abro os olhos para mais um dia,

Você teve que ir, eu precisei voltar,

Mas quando a noite chega se vai a agonia,

Pois no sono do corpo posso te encontrar.



quarta-feira, 9 de junho de 2010

O QUE FAÇO COM VOCÊ?

Brincando de saudades e inventando um querer bem que não tem, não dá para ligar de noite e te chamar de meu bem. Nem posso encaixar pronomes possessivos ao falar de ti no meio de minha fala. Eu sei que você existe, mas e daí? Nada mudou. Não há brilho a mais na manhã, horas a menos na noite, não rolo na cama, não suspiro quando viajo, nem minha voz embarga de emoção. Não mudo o caminho para te ver, não bate vontade de gastar créditos do celular; ganhei uma coisa e não te conto, para que você quer mesmo saber? Nem vai torcer. Então, o que faço com você?

Você está doente? Melhoras! Não faço chazinho, carinho, denguinho e outros inhos que a doença traz. Vai se mudar de cidade? Escolhe um bairro onde tudo é perto. Não faço cena, não me jogo no chão, nem dói o coração porque não vou te ver. Então, o que faço com você?

Não é que eu te quero mal, não é que eu não te queira, não é isso! É que você existe, eu sei, mas não soma nem subtrai, não multiplica nem divide, como vou contabilizar você em minha vida se a gente faz de conta que conta um com o outro? Você me liga ou eu te procuro e a gente se encontra no escuro, na esquina, nas quebradas e nada do que dizemos se põe num grande vão onde se deposita o futuro – é só ali, de passagem, sorrateiros, bifurcados, historinha que ninguém crê. Então, o que faço com você?

Bote fé, aliás, não bote não porque posso mudar de opinião e você esperar sem necessidade. De mim nada espere além do bem que faço a todos sem especialidade. Seu aniversário é uma data e não um acontecimento, mas deixa comigo que listarei este evento no Orkut e se der eu apareço. Jamais dividiremos uma pizza, nem lençóis, nem uma janela, nem um par de ingressos, nem a alegria de nenhum dos dois: o meu é meu, o seu é seu e o nós não conjuga o verbo ser. Se isso tudo é verdade, se não há dor, não tem saudade, me diga - por caridade - o que eu faço com você?


{Ficção}

quarta-feira, 26 de maio de 2010

SEM QUE ME VEJAM.

Quando penso em me achar, encontro-me naquilo que nem imaginava... e quando penso em pôr os pés no mato, eis que minhas vontades correm loucas para o mar. Não é por querer, é por amar. Quando menos peço, mais peco em achar que poder e ter se apartam na realidade. Nem é bem assim - ganhei tantos brindes!

Parece que produzo um cheiro que chama o incerto, mas ele traz um quê de felicidade risonha [há felicidades que não riem]. Parece que eu digo coisas que não sei, mas é bem verdade que tudo parece fugir: quando agarro o sonho os passarinhos amanhecem o dia enfurecidos! E minha janela me acorda. Mesmo assim insisto em sentir o vento nos olhos fechados... insisto.

Na casa de quem não tem saber mora sempre uma bacia de incertezas e medo. Na minha não tem tudo isso, mas ele ainda está lá [o medo]. Eu só sei que na cama há um espaço que eu uso para produzir suspiros: é o ontem, é o hoje, é o amanhã que vem, que foi, que é. E os suspiros vão lavando as coisas e me adormecendo.

Há olhos que me buscam no vago vão do meu olhar... há respiração que traz cheiro de criança e há também tanta saudade... mas é tão pouco o tempo! Esse bandido que rouba as horas de travesseiro, da manhã, da tarde com biscoitos e do riso do menino. Bandido, também, que nem sabe, mas me tem. Ou eu acho...

É bem de leve que se faz a vida pesada, concreta; sem isso as garras da ansiedade nos prendem em suas masmorras e é de agonia que se viveria por lá. Assim foi que aprendi a passear descalça na trilha da espera. Descalcei as culpas, fabriquei alguns pesares, mas ao fim me encontro aqui - derramando suspiros. Sairei por aí tranquila e os passarinhos que vão acordar a vizinha, porque eu nem vou dormir!


sábado, 15 de maio de 2010

L e M

E se você me deixar? Eu vou continuar vivendo, mas um buraco vai ficar junto de mim lembrando que sua falta é um infinito. Se eu te deixasse ir, se eu te perdesse, se de mim você se apartasse pode apostar que eu não morreria, mas viver teria graça, riso, calor e carinho? Se este sentimento imenso de amor se transformasse numa onda de tristeza, eu tenho quase certeza, de que eu todos os dias choraria um mar de saudade. Você sabe que faz diferença em minha vida e se tenho bens, um deles é você; ainda que não tenha a escritura de sua alma em meu nome [e o nome disso é amor], te tenho bem aqui comigo, bem no fundo do peito, muito colado na alma. Jamais te esquecerei, mesmo que você me esqueça.

Se eu te visse partindo sem adeus, sem explicação, com silêncio e ressentimento, acredite que me seria roubada parte da alma, pois onde em mim não há você? Nas lembranças que se vão num passado que nem sabemos ao certo detalhar, nas memórias de instantes únicos vividos entre risos e até lágrimas, nas tardes em museus, lanchonetes, sorveterias, nos “bom-dia” das mensagens de manhã... onde eu estaria sem você?

Sem você não tenho tanta força nem tanta vontade de me superar. Foi através de você que vi um futuro melhor para mim mesma. Nos conselhos valorosos, tantas vezes defini um destino mais robusto, onde a felicidade é certeza, sabe por quê? Você estará nele.

Então, eu só peço, de coração, não me deixa, tá? Porque se isso acontecer, pode apostar: eu é que não vou te deixar.

{Um texto que cai como uma luva para os dois. Luiza e Marcelo}

terça-feira, 14 de julho de 2009

TER CORAGEM


Ter coragem não é enfrentar um touro bravo, é assumir para si mesmo que não possui a força física para vencê-lo.
Ter coragem não é sustentar uma inverdade até o fim, mas assumir que estava errado.
Ter coragem não é gritar quando alguém grita com a gente, mas se calar quando o outro não nos pode mesmo ouvir.
Ter coragem não é beber até cair, mas manter-se sóbrio diante de si mesmo.
Ter coragem não é "dizer umas verdades" a alguém, mas não plantar mentiras.
Ter coragem não é "não levar troco", mas dar a face.
Ter coragem não é assumir a culpa, mas considerar-se responsável.
Ter coragem não é dizer que não precisa de ninguém, mas assumir que se sente saudade de um ombro.
Ter coragem não é não dar o braço a torcer, mas saber voltar atrás e dizer "perdoa?".
Ter coragem não é ter muitos namorados[as], mas estar integralmente leal a um[a] só.
Ter coragem não é fazer parecer que está tudo bem, mas ser fiel aos próprios sentimentos.
Ter coragem não é ser o que os outros querem que sejamos, mas respeitarmos as diferenças.
Ter coragem não é criticar trabalhos, mas levantar -às vezes sozinhos - algumas pontes.
Ter coragem não é pular de bungee jump, mas assumir que seu limite vai até ali.
Ter coragem não é amar quem nos ama, mas amar quem nos considera inimigo.
Ter coragem não é emprestar a quem pode nos pagar, mas àquele que nunca vai nos restituir.
Ter coragem não é jamais desistir, mas entender que se tem certos limites e que há momento para tudo, até para vencer.
Ter coragem não é sustentar uma opinião até o fim, mas refletir sempre sobre a possibilidade de se estar errado.
Ter coragem não é andar no escuro, mas no meio de toda a treva acender uma luz.

Coragem se desenvolve, se aprende, se exercita. Ter coragem é estar na vida!

{Sâmia}

terça-feira, 7 de abril de 2009

BOLINHAS DE SABÃO

Bolinhas de sabão são um espetáculo simples. Adoro ver através daquelas finas paredes as pequenas cores que se formam. Qual o mistério da bola de sabão? O que faz o ar ficar preso ali por instantes? Com certeza há quem responda esta questão num tapa! Mas é o que menos importa...

Vou lhes contar uma história. Havia uma menina que adorava fazer bolas de sabão em dias ensolarados, justamente porque ela pensava o mesmo que eu: as finas paredes coloridinhas eram lindas! Entretanto esta menina quase sempre se punha a chorar quando as bolinhas partiam-se. Crianças... [como eu!] Ela não se conformava com o fato das bolas serem lindas, mas não serem eternas! Elas tinham que durar muito - ela dizia - não é possivel que algo tão belo e tão mágico estoure no meio do nada e suma para sempre!

Tanto é que ela começou a perder a vontade de fazer bolas de sabão. Os dias ensolarados lhe convidando a soprar as bolas, mas ela não se atrevia a fazer a mistura de sabão, porque - claro - no final das contas as bolas todas morreriam, sem ar, sem cor, sem nada! Para que fazer tantas bolas? E ela deixou de fazê-las...

Mas, vou lhes dizer, isso não a deixou em paz, porque ela sempre sonhava com lindas bolas coloridas. Sentia saudades de vê-las, sentia saudade de aumentá-las, alimentá-las com seu sopro. Sentia uma falta danada! Ela começou a perceber que deixar de fazer as bolas porque elas estouravam e lhe deixavam triste a entristecia tanto quanto não mais fazê-las! Começou a pensar nisso e aguardou o próximo dia de sol. Então se muniu de coragem, água e sabão, canudinho na mão e soprou! Uma, duas, três... várias bolas no ar! Ela sorria e sorria, mas as bolas começaram a morrer novamente e ela se entristecia e lhe crescia uma angústia e ela lamentou ter acreditado outra vez! Encostou-se no banquinho da praça e chorou!

Então, um velhinho que passava próximo [histórias assim sempre têm velhinhos sábios], ouviu seu choro e perguntou o que se passava:

- Não posso mais! As bolas que sopro sobem no ar e logo depois estouram!
- E isso não é normal?
- Não deveria ser, porque elas são lindas!
- De fato são. Mas acredito que depois de todo este tempo, minha menina, você não conseguiu ver a maior beleza das bolas de sabão.
- Não??? Como não?!
- Não viu, mas vai ver porque a maior beleza da bola de sabão está na força de quem as sopra! Por mais que elas estourem, por mais que seu colorido desapareça, a beleza está em você que sabe soprar!

Ela não mais chorou e soprou as bolas de sabão para sempre...


{Sâmia}

ABAIXO A PROTEÇÃO!!!



Eu passei boa parte de minha vida tentando me proteger de ligações verdadeiras. Eu achava que os amigos que tinha e a quantidade deles provavam que eu estabelecia ligações verdadeiras, e estava enganada. Pensava assim: "se eu tenho amigos e eles gostam de mim e eu deles, então eu tenho amigos". Ficou estranha a frase, mas meus pensamentos são estranhos mesmo... eu, na verdade, tinha pessoas! Eu estava ligada a elas pelas circunstâncias e acreditava que estavam na minha vida de forma real, mas não era verdade. O que eu permitia era que as pessoas vissem minha casca [a que inventei pra proteção] e entrava na vida delas de verdade, mas a recíproca ficava longe de ser verdadeira.

Isso começou a mudar. Eu não queria admitir que agia desta forma, mas quando algumas pessoas furaram minha carapaça de proteção eu pude perceber que ela realmente existia. Sabe como percebi que estava deixando que amigos me acessassem? Quando senti saudade deles. Antes eu os conquistava e se tivesse que ir embora nem dava tchau. E hoje não é assim. Tem muita gente que contribuiu nos últimos dois anos para que isso mudasse. Percebi com Nena e Marcelo que amizade independe de distância. Luiza me ensina lealdade e dedicação. Adriana e Luciano chegaram e me conquistaram à primeira vista. Tem Aline que amo como irmã e Carolina Vidal que adotei como filha. Quando percebi estes todos já me cercavam por dentro de tal forma que os amo!

E então entendi que se proteger é deixar de ter o melhor de mim para os outros e o melhor dos outros em mim. Que sofrer é um processo de ajuste natural num mundo de pessoas desiguais, que experiências negativas se misturam às positivas e que as pessoas imperfeitas como eu, erram até quando não querem errar e eu preciso entender que um dia todos acertaremos mais. Entendi que a proteção invisível que eu levantei quando sofri impediu que eu deixasse de sofrer futuramente e outras vezes, mas também de ser feliz. Nada passava [pela barreira], nem o sofrimento, nem o amor e assim a balança pendia para a dor! Estar só para mim, ainda que cercada de pessoas, é sofrer. No final das contas eu sofria me protegendo do sofrimento!!! Deixei de ter amigos imperfeitos e não tinha amigo algum! Vivia na ilusão de que a quantidade deles me provava que os tinha conquistado.

Agora já perdi o medo de sofrer e abaixei a barreira. Estou lutando para conseguir deixar-me disposta cada vez mais e levar a vida me entregando e integrado nela. Já não tenho mais possíveis opositores e sim pessoas passíveis de serem amadas; já não temo tanto o futuro e estou vivendo um presente cheio de presentes! Hoje sim... recomeço a ser feliz!

:)

SAUDADE, POXA!

Saudade é ponte! É um pedaço do outro dentro da gente! Pedaço incrustado num coração, pedaço embutido noutra alma: parte fica aqui, parte vai com o outro... saudade dói por isso. E a gente só pode sentir o pedaço da ponte que se alicerça em nós. O diacho é a distância! Saudade se faz quando há distância, mesmo de almas, não precisa ser física; basta que o olhar se perca e que não se encontre porta pra conversa que aí tudo vira a ponte da saudade... mas deste jeito é meio torto porque um sente falta e o outro... vai embora!

E saudade da infância? É doce e cortante, faz rir e faz chorar... nesta não se pode nem tocar! A gente só toca nesta saudade quando a criança que há em nós não morre, mas andam matando tantas crianças... o mundo anda sem saber como sonhar! Parece que virou pecado ter fé! Coisa estranha que todo mundo ultimamente tem se esquecido que já sorriu e anda falando de dor pra todo canto! Eu prefiro então a dor da saudade de infância, pois ela me lembra que já fui só riso!

Tem hora que a gente se sente um poço de saudade: do ontem, da praia, da cidade que nasceu, da amiga que foi pra Portugal, do amigo de Minas, da amiga do Ceará, do pai e do irmão, da filha ainda bebê [essa saudade não me perdoa, ela se vinga com todo gosto usando o tempo - que passa...], da tia que foi pro mundo dos sentimentos, das amigas de infância, do que eu era, das bonecas, da inocência... "saudade mata a gente, menina!". Mas saudade é conquista, saudade é posse de lembranças; aquilo registrado no cartório da alma que diz que você é dono de um pedaço parado da vida que mexe com outro alguém também! Cutuca o coração e faz doer, mas impulsiona o pé e faz a gente ir buscar, porque saudade [se você olhar bem] é um vício humano de querer de novo. E quando queremos de novo, vamos caminhando os pés para buscar mais chão e encontramos outra coisa, parecida com o objeto de saudade [o primeiro], mas não era bem aquilo, mas aquilo [o segundo] já nos deixa com saudade e vamos indo mais a frente... um ciclo, não?

Alma não atravessada pela ponte da saudade é alma morta! Sem lembranças, não somos: seremos somente. Mas dos projetos que nada constróem faz-se pilhas de papel que se perdem no tempo. Pessoas que não sentem saudade são um lapso de tempo, um hiato da vida, um travessão, um hífen... não escreveram história, não assinaram lista de presença da vida e vão embora para lugar nenhum, pois ninguém dá conta delas.

Eu sinto saudade. Eu tô com saudade, mas não estou triste. Tô feliz por ter ponte pelo mundo em que a outra ponta tá em um monte de gente bacana, a quem chamo de tudo, sobretudo de amigos!